sexta-feira, 5 de junho de 2015

O Planeta dos Macacos

Acabei de ler nesse instante o livro O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle. O livro é espetacular! Particularmente gostei muito da história de Boulle. Ele fala sobre coisas densas, mas sem ser Hard, sem ser de forma difícil. Aborda o que é necessário saber, mas sem dar muitos detalhes que, no final das contas, fica meio forçado, meio chato.

Seu livro é sempre muito agradável. Ele não esquece de que estamos nos divertindo quando fazemos a opção de ler seu livro e, ao mesmo tempo, como toda boa ficção científica faz, nos dá o que pensar e faz uma grande crítica à sociedade por meio de uma sociedade de Macacos, e de cinismo.

Particularmente não achei que ia gostar do livro, posto que conheço por demais esta história. Desde os filmes antigos, cujo primeiro é um clássico do cinema, passando pelo de Tim Burton, até os recentes onde os macacos são liderados pelo César de Andy Serkis, a trama já está tão gravada no imaginário popular que não esperei ter uma experiência tão boa.

Super recomendo esse livro. Certamente um dos melhores livros que li este ano.

Aproveito para comentar brevemente sobre o livro O Caminho dos Condenados, de Roger Zelazny. Boa história de ação e aventura. Eu não consegui parar de ler (é clichê, mas é verdade). Não é tão profundo, com a passagem do tempo ficou datado, e a personagem principal parecia uma criança mimada, mas no geral é legalzinho. Também recomendo.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O Poeta

Quem sabe porque o poeta escreve?
Escreve porque existe o belo,
E uma maneira ainda mais bela
De dizer que o belo existe.

Escreve porque existe o feio,
E uma maneira especial de dizer que o feio
Não é assim tão feio,
Nem assim tão triste,
E que se foram usadas palavras
Seletamente escolhidas,
O feio pode até se engolir.

Escreve por que existe o belo e o feio
Paradoxos, analogias e contradições.

Escreve pois tem sentimentos.
Porque não é uma máquina.
As pessoas não são máquinas.
Ele lembra-se disso o tempo todo
E, com seus escritos, tenta fazer
Com que os outros não se esqueçam.

O poeta escreve porque o belo e o feio
Existem apenas como representações
Das diferenças, todas simbólicas.

O poeta escreve por saber
Que não somos diferentes,
Por mais que todos queiram provar ao contrário.

O poeta escreve para tentar fazer
Com que os outros não se esqueçam
Que somos todos humanos.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Música

A música é o som.
A música não é o som.
Pois nem todo som é música.
Mas, toda música é som.

A música é mágica.
A música não é a mágica.
Pois nem toda mágica é musical.
Mas, toda música é mágica pura.

A música é a arte.
A música não é a arte.
Pois nem toda a arte é musical.
Mas, toda música é arte.
Assim como todo músico
É um artista em potencial.

A música é som, é mágica,
É arte, é sonho, é verdade,
É realidade, é filosofia, é religião.
É tudo e muito mais.
E, quando toca o coração,
É metamorfose que vai se
Metamorfoseando até transcender
A canção.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Mais Grande

Numa caixa de fósforos
Bem que cabe um carro
E se ela não estiver meio torta
Dá para entrar e fazer dela uma oca
Outro dia vi um sorriso no rosto do sol.

Gente grande não entende nada
Parece que quanto mais grande, mais bobo.
Olha pra nossa cara e diz:
"Que bonitinho!"

Meu pai não enxerga um sorriso no sol
Nem na lua, nem lugar algum.
Ele nem sequer olha...
E ainda diz que sou a sua cara, eu não!

Gente grande não entende nada
Parece que quanto mais grande, mais bobo.
Olha pra nossa cara e diz:
"Que fofo!"

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Bosom Friend

Eu queria ter o mundo ao alcance das mãos
E correr mais rápido que a velocidade do som
E voar mais rápido do que a velocidade da luz
Só pra chegar primeiro
E te contar as novidades antes delas aparecerem.

A vida é um jogo que jogamos
Se perdemos ou ganhamos
Isso não importa
O que importa é que jogamos.
Se ganhamos ou perdemos
A vida é tudo o que temos.
Se perdemos ou vencemos
O que não temos é tudo o que queremos.

O que eu quero?

Eu quero apenas ser seu amigo
Estar ao seu lado
E na hora da chuva te servir de abrigo.
Eu quero apenas ser seu amigo
Quando você for lutar
Quero lutar junto contigo.
Eu quero ir na frente
E te livrar do perigo
Eu quero que você me chame
Como eu te chamo de amigo.

Amigo!!!

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Parto Normal

Quando você partir
Parta de parto normal
Não fique chorando
Se remoendo por dentro
Tornando tudo tão difícil para nós dois.

Se quiser voltar
Volte sem remorsos
Não foi minha culpa,
Nem sua, nem de ninguém.

Por que ficar se lamentando
Achando que suas lamentações
Carregam o cerne da mudança do mundo?

Conte-me seus sonhos
Eu sentirei prazer em dizer
O que significam.

Se quiser chorar, chore.
Eu também queria chorar
Sem ter um motivo.
Mas, o que fazer se
Ainda estou vivo?

No entanto, se você chorar
Não molhe meus ombros
Com suas lágrimas
Use-as para lavar os copos
E os pratos que ficaram
Sobre a pia.

Eu queria sorrir,
Mas, não vejo motivos.
O que fazer, se
Ainda estou vivo?

Vire a página deste livro que lês.
Vire a página da tua própria vida.
Faça os curativos e deixe que o tempo
Cure todas as feridas.

E, se quiser partir,
Parta de parto normal.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

EX MACHINA



O filme EX MACHINA, primeiro filme dirigido por Alex Garland, tem tudo para ser considerado um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos tempos. E os méritos deste filme não são poucos e crescem quando se leva isso em consideração.
É difícil não se lembrar de Metrópolis, 2001 Uma Odisséia no Espaço, e mais recentemente Ela. Num primeiro momento o que nos lembra tais filmes é com certeza a existência de um robô/inteligência artificial como a Maria, ou o Hal9000. Porém, Ava parece ser uma evolução das entidades robóticas citadas.
É um alento ver uma ficção científica tão limpa, clean. Em certos momentos do filme é tudo tão clean que lembra alguns ambientes do já citado 2001. Também é impossível não lembrar do leiaute do Google. É bem possível que o Blue Book tenha a mesma aparência. E o Google tem mais participação na história do que possa parecer.
Outro ponto positivo do roteiro, também de Alex Garland, é que ele subverte os mitos de Pandora e Prometeu. Dessa vez o homem que rouba o fogo dos deuses é o mesmo que abre a porta para a danação, tomando o lugar de Pandora.
Com bela fotografia e atuações primorosas, EX MACHINA tem lugar garantido entre aqueles filmes que divertem e fazem pensar, deixando o final aberto, que nos perturbará por muito tempo após o fim da película.
Devo confessar que me incomodou o fato do criador de Ava dizer que ela estava apenas usando e seduzindo o avaliador para conseguir fugir, e ela agir exatamente como ele havia dito. Nesse sentido, o final do filme Ela, de Spike Jonze, parece trazer mais vigor ao subgênero de revolução das máquinas, já que os sistemas operacionais suplantaram os humanos, mas não optaram por destruí-los. Ava, tal qual a Eva bíblica, acaba por condenar o homem à morte.
Algumas questões:
Por qual motivo o homem dedica tantos recursos na criação da IA, se tudo o que parece é que ele quer apenas mais um escravo? Qual o próximo passo de Ava após um cruzamento movimentado e um show? Até que ponto a humanidade estaria segura com o surgimento desta nova forma de vida? Será que as ações de Ava não são apenas resultado de sua programação? Muitas outras perguntas confundem minha mente, e esse é o papel de uma boa ficção científica. Super recomendo EX MACHINA.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Harry Potter é literatura?

Afinal, Harry Potter é literatura?

http://flip.it/voi9s

Já falei sobre isso aqui, mas, estas reflexões são muito boas.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Os Malditos, ou These are the damned

Os malditos, filme de Joseph Losey de 1963, conta a história de um turista americano, de um líder de uma gangue e da irmã dele, os três acabam presos num complexo secreto do governo americano que faz experiências com crianças, tornando-as radioativas para poderem sobreviver depois que um desastre nuclear acabar com toda a terra e matar todas as pessoas.

Elas vão ser, simbolicamente, adão e eva do mundo pós-apocalíptico. O filme é uma parábola sobre a paranóia atômica, o medo de que as super-potências iriam acabar destruindo o planeta com uso de armas nucleares na guerra fria.  É um filme que demora a engrenar, mas, possui uma mensagem que é válida até hoje, posto que desde 1963 as formas de se destruir a humanidade parece apenas se proliferar.

O fim tem a melhor parte do filme, crianças pedindo socorro, um gesto simbólico e tocante. Mesmo em pleno século XXI as crianças continuam pedindo socorro. É, de fato, um clássico da ficção científica. Super recomendo.

Grande aula de Ficção Científica com Bráulio Tavares

https://youtu.be/_iSNTho6H6s

Certamente um pouco mais de conhecimento sobre este gênero literário não faz mal.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Se eu morrer

Se eu morrer
Não me acompanhe
A vida é assim
Não seja inane
Se você me amar
Eu morro bem.

Se eu cair
Me levante
Não me deixe assim
Pois sou rompante
E num rompante
Posso enlouquecer
Mas, se você me amar
Eu morro bem.

Se eu chorar
Me dê ouvidos
Me dê também um ombro,
Um ombro amigo
E seque minhas lágrimas
Com amor
Pois se você me amar
Eu morro bem.

Eu morro bem,
Morro bem,
Mas, se você morrer
Morro também.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Viagem

Quando você passar aqui
Na vinda de qualquer viagem
Pode perguntar por mim
Mesmo que seja tarde
Muito tarde para a vida
Cedo demais pra morte.

Quando você passar por mim
Na vinda de qualquer viagem
Diga pelo menos um "oi"
Mesmo que seja tarde
Tarde demais para desculpas
Ainda há tempo de amizade.

Quando você passar por mim
Na vinda de qualquer viagem
Diga pelo menos "tchau"
Antes de seguir viagem
Pare num restaurante da estrada
Comida boa, bebida ruim
Numa das curvas da vida
Triste prólogo do fim.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Farrapo

Eu preciso de um empurrãozinho
Não é comodismo
É que eu tô sem força
Só um empurrãozinho
Estou tão sozinho.

Eu preciso de uma mãozinha
Divida sua sorte comigo
Entorte a ferradura pro meu lado
Só um pouquinho
Ai!  Estou tão sozinho.

Eu preciso de uma ajudinha
Não é muita coisa
Faça o que você faria por qualquer pessoa
Sopre o meu rosto
Só um ventinho
Ai, ai! Estou tão sozinho.

Com esses trapos
Sou um farrapo humano
Sujo, com sede e faminto
Pedindo socorro
Só um tantinho.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Repulsa

Simplificar as coisas
O senso comum faz
O tempo inteiro
Enquanto o sensu acadêmico
O que faz é complexificá-las
Em igual quantidade de tempo.
Veja o meu caso:
Eu tinha uma ideia
Mas perdi a caminho do trabalho
Eu tinha um trabalho
Mas perdi correndo atrás de uma ideia
Por isso não acredito em nada
Mas não duvido de tudo
Tem muita coisa errado,
Tem muita coisa errada
Nesse mundo
Eu sentia falta do trabalho
Sem ele me sentia um nada
Com ele comecei a ver
Que era tudo questão de perspectiva
E continuei me sentindo um nada
Escancarei as portas do meu coração
Passou um tempo ninguém quis entrar
Um cão entrou e se acomodou
Mas ele tinha sarna e carrapatos
Sinto meu coração pulsando
E sinto repulsa
O mundo anda louco
Eu às vezes ando,
Às vezes corro.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Eles Vivem

O filme de Ficção Científica de John Carpenter, Eles Vivem, pode ser um pouco datado, é verdade. Mas, este filme é, também, uma crítica social bem interessante e que apresenta alguns paralelos facilmente reconhecíveis com os dias em que vivemos.

Um homem da classe trabalhadora encontra um óculos que o permite ver que extraterrestres dominaram o planeta por meio de propagandas subliminares. No roteiro, a maioria das pessoas em posições sociais mais elevadas são et's, e os que não são acabaram trocando suas liberdades, e a do restante do mundo, por dinheiro e uma vida luxuosa.

Os efeitos são muito ruizinhos, posto que o filme é de 1988, e nessa época já temos muitos filmes onde seus efeitos resistiram bem mais a passagem do tempo. Mas, é um filme cult. É, certamente, um dos 20 ou 30 melhores filmes de um gênero específico da ficção científica que são os filmes de invasão alienígena.

Dá pra rir das roupas dos anos 80, dos penteados com mullets caprichados, estilo Chitãozinho & Chororó. Visualmente o filme não envelheceu tão bem quanto 2001, Blade Runner, ou mesmo alguns filmes do próprio Carpenter como, O Enigma do Outro Mundo, Fuga de Nova York, Starman ou Os Aventureiros do Bairro Proibido. Talvez seja um filme menor de Carpenter, mas vale muito a pena ser visto.

Eles Vivem

Suicídio

O sol está no ápice
Os pássaros cantam
Uma triste canção
Destas de animar enterro
Que tem por estribilho:

"Que dia bonito para um suicídio
Um dia perfeito para se matar!"

Sobre a mesinha
Manteiga, torrada,
Café e chá.

No buquê
Rosas vermelhas, samambaias,
Flores do campo, chuva de prata,
Que ostentam também
Um outro nome vulgar.

Na lápide não haverá epitafio.
Ninguém mandou se matar.

O céu está esplêndido
Os pássaros cantam
A mesma triste canção.

"Que belo dia para uma prova,
Um dia perfeito para se conhecer
Por dentro uma cova!"

Numa lápide estava escrito
Um fato concreto
Numa outra um fato abstrato
Eu, se pudesse, escreveria apenas
Suicídio.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Intuição Feminina

Ela está pensativa
Ou fingindo estar
Vai lavando suas roupas
Lá rá lá rá lá...

Certamente pensa em alguém
Preocupada, preocupada
Com a hora do jantar
Lá rá lá rá lá...

O filho chega da escola
Era nele que pensava?
Vai varrendo sua casa
Lá rá lá rá lá...

Continua preocupada
Mas tudo está em seu lugar
Só ela não está
Lá rá lá rá lá...

Daí, então, chegou a noite
Janta junto com seu filho
Não tem mais o Lá rá lá rá lá
Lá rá lá rá lá...

Toca o telefone inoportuno
Atende sem vontade de atender
Não há mais dúvidas
Nem vocalização
Apenas lágrimas.

Eu sabia!
Eu sabia!
Intuição feminina!
Intuição feminina!

terça-feira, 5 de maio de 2015

A Dança

Eu não queria tocar em você
Mas, sou obrigado
Suas mãos são macias
Meu coração calejado.

Já não penso em você
Tanto quanto antes
Mas, não quero terminar
Antes do inverno acabar.

Não tenho medo de ficar só
Apenas não quero te magoar.
O trem saiu da estação,
Você, dormindo, nem o viu chegar.

Não percebeu que
A música já acabou
E continua a dançar.
Você dança, dança e dança
Sem perceber que todos foram embora.
As luzes estão apagadas,
Apenas você no salão.

Eu não queria deixá-la
Mas, sou obrigado
Suas mãos são macias,
Meu coração calejado.
Seu coração é tão puro,
O meu calejado.

Você me pergunta se
Não quero dançar.
Eu lhe digo:
"Amor, eu já dancei."

Cafeína

Não pense nunca estar no fundo do poço
Talvez você ainda não esteja lá
Mas, o caminho é perto, reze pra escapar
Firme o pensamento em alguma coisa boa
E tente atravessar essa deprê sem afundar
Mas tente sozinho, eu não posso te ajudar
Tome um pouco de café pra se acalmar.

Não curto cafeína,
Mas, tudo bem um pouco de café
Às vezes me faz bem,
Não curto cafeína,
Mas, tudo bem um pouco de café
Não faz mal a ninguém.

Todo mundo precisa de alguém pra amar,
Todo mundo precisa de alguém pra
Tomar café e conversar.

A noite já era, meus sonhos foram por água abaixo,
Espero que saibam nadar.
Se não souberem, que se danem, vou gritar:
"Sonhos ao mar!"

Não curto cafeína,
Mas, tudo bem um pouco de café
Às vezes me faz bem,
Não curto cafeína,
Mas, tudo bem um pouco de café
Não faz mal a ninguém.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Febril

Eu queria escrever a mais bela
De todas as poesias de amor
Só por que você me pediu
Queria te dar umas quinhentas estrelas
E planetas uns mil
Queria explicar de forma simples
Que sinto uma paixão febril.

Uma lágrima incomoda
Ao descer sem pedir licença
E meu coração
Inexperiente nesses assuntos
Acelera como se apenas isso
Bastasse para dizer
Com todas as letras
Que no meu céu
Só existe uma estrela
Como se apenas isso bastasse
Para dizer tudo.

sábado, 2 de maio de 2015

Auto-retrato

Eu, faxineiro, 27 anos.
Luto todo dia, só apanho.
Apanho da vida, eu mesmo me arranho.
Perdido na rua, coração de pano.
Dando conselhos a outros,
Querendo todos pra mim
Eu mesmo me engano.

Barriga cheia de comida,
Roncando na ânsia de devorar paixões
Um rio rasgando montanhas
Como amor rasgando corações
Na estante seu sorriso me lembra
Que um erro meu deixou tudo pior.

"Gauche" se lê "gôche"
Mundo, mundo
Vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Não seria solução seria castigo.

Música sem som

Durante todo o dia havia
Uma música em meus ouvidos
Na música alguém sorria
Mesmo sem haver sorrisos.

Ouvi, também, um som inaudível
Como aqueles de muitos prantos
Que apodrecem como o que é perecível
Ao não receber acalantos.

Mas era vibrante o referido som
Mesmo que partitura não houvesse
Havia CADENZA, havia tom...

Da letra inda lembro d'uma parte:
"Música sem som, música sem som"
De nada mais me lembro destarte.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Pobres Mulheres Livres


O casal estava sentado no ônibus conversando. Estavam cansados da longa jornada de trabalho. Interromperam a conversa ao entrar no coletivo três jovens, um deles era negro e os outros dois brancos. Ficaram com medo.

Muitas vezes grupos de jovens aproveitam que o ônibus não anda tão cheio por volta das dez e meia da noite no trajeto de Nova Iguaçu para o Rodilândia, bairro afastado do centro, e nesse horário acontecem muitos roubos. Não queriam ser surpreendidos por bandidos.

Mas, o curioso para o casal é que os jovens, embora vestidos com roupas folgadas, com muitas pulseiras e também muitos cordões nos pescoços, não eram bandidos. Muito pelo contrário, eram jovens trabalhadores. Trabalhavam no McDonald's em funções diversas que tinham em comum o fato de serem mal remuneradas.

Também curioso era a conversa que eles estavam tendo naquele momento. Os jovens estava falando de tempos de crise, e de que é muito difícil namorar em tempos de dificuldade financeira. Um dos jovens contava que tinha três namoradas e que tinha que fazer malabarismo para conseguir sair com as três durante o mês.

Ele chamou uma das namoradas para sair e ela disse que tava meio dura. Era final de mês e precisava primeiro receber o pagamento para depois ter dinheiro pra sair com ele. O rapaz continuou a contar para os outros rapazes que ela provavelmente esperava que ele a convidasse para sair, mesmo que ela não pudesse pagar por suas despesas.

Entretanto, ele disse: "Não, não, não se preocupa não. A gente sai depois que você receber seu pagamento!"

O marido esperou os garotos descerem do ônibus, eles desceram na estação de trem de Comendador Soares. Quando o ônibus seguiu viagem, o homem ainda olhou pela janela acompanhando com o olhar os garotos e estampando no rosto um sorriso.

- É, as mulheres sempre quiseram liberdade e a liberdade pra elas veio acompanhada de dupla jornada.

- Mô, escutou o que o garoto falou? Ele disse que tem três namoradas...
- E que o dinheiro que ele ganhava no trabalho não dava pra sair com as três meninas. A melhor coisa que inventaram pra ele foi a liberdade feminina. Elas são independentes e pagam suas próprias contas, e ele economiza seu dinheirinho pra sair com as três.

- Pobres mulheres livres, né? - Disse a esposa,pensando na janta que ia ter que preparar quando chegasse em casa.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Poe-Dia

Quero escrever poesia
Co'um Deus escreve os dias
E que a poeira ou a tristeza
Não escondam a alegria do meu dia.

Com'um poeta se debatendo co'uma rima
Meus problemas são desafios com'uns
Tão com'uns com'o as dúvidas
Com'uns com'o as dívidas
Que sempre temos
Com'a vida.

Quero escrever uma ode
Que rejeite co'um grito
Ou do jeito que pode
A insânia e'a futilidade
De entregar nossa vida, nosso rumo
Ao destino para colocá-lá no prumo.

Minha ode
Que nascerá co'um espasmo
Ou do jeito que pode
É um dia poético
Co'um P de profético
Com'um dia escrevendo um poeta
E não o cont'rário
Eu
Mesmo
Tendo
Nascido
Ontem
Pres'cindindo
Maiakóvski.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Harry Potter não é literatura


Na entrevista 50 anos de carreira de Ruth Rocha: “Harry Potter não é literatura”  de Cristina Da numa, a escritora Ruth Rocha fez as seguintes declarações:

iG: O que acha destes novos best-sellers, que misturam fantasia, com a presença de vampiros e bruxas? 

Ruth Rocha: Isto não é literatura, isto é uma bobagem. É moda, vai passar. Criança deve ler tudo, o que tem vontade, o que gosta, mas eu sei que não é bom. O que eu acho que é literatura éuma expressão do autor, da sua alma, das suas crenças, e cria uma coisa nova. Esta literatura com bruxas é artificial, para seguir o modismo. Acho que o Harry Potter fez sucesso e está todo mundo indo atrás. 

iG: Então você não gosta de “Harry Potter”? 

Ruth Rocha: Não acho errado os livros fazerem sucesso. Eu gosto porque acho que as crianças leem, mas eu não gosto de ler “Harry Potter”, não acho que é literatura.

iG: Qual você acha que é um livro infantil de qualidade? 

Ruth Rocha: Eu, na verdade, leio muito mais livros para adulta. Todo mundo acha que eu ainda tenho criança dentro de mim [risos], mas na verdade sou adulta, até velha. Mas o ganhador do Jabuti de 2014 [“Breve História de um Pequeno Amor”, de Marina Colasanti] é uma obra muito bonita.

iG: Como você acha que é a melhor forma de incentivar uma criança a ler? 

Ruth Rocha: A criança tem que ser estimulada. Você tem que conversar com a criança, cantar muito com ela, ensinar versinhos, contar histórias desde que nasce. Porque a leitura é um complexo que compreende de ler, escrever, entender. É importante criar a criança para ler bem. Ter vários livro no alcance da criança. Vejo muita gente comprar um celular para a criança, que custa cerca de R$ 1 mil, mas nunca vi um pai gastar R$ 1 mil em livros. Outra coisa muito importante a ler é o evento. A criança passa muito tempo brincando de ser grande. De ser bombeiro, médico… Elas imitam os adultos, então é importante que em uma casa as pessoas leem, que cultivem a cultura. Agora se ela vai ler mesmo, eu não posso garantir [risos]

Não vi nenhuma explicação concreta do motivo de Harry Potter não ser literatura. Concordaria com ela se dissesse que não é grande literatura por ser mal escrito, ou por seus personagens não possuírem profundidade, mas do jeito que foi, parece que ela é apenas mais uma pessoa que gosta de diminuir o trabalho dos outros e pronto.

Muitas vezes já ouvi pessoas comentando que livros de fantasia, ou ficção científica, não são literatura. Ou que o gênero tal é mais importante que aquele outro. Enquanto alguns escritores alimentam estes debates, os leitores fazem suas próprias escolhas. E, eles gostam muito de Harry Potter, fantasia e ficção científica.

Química

Química
Mercúrio cromo
Átomo de carbono
Qualquer poeta medíocre
Vale vinte químicos medianos.

Mistura homogênea
Solidificação
Evaporação
Rimando funções quimicas
Só para achar a solução
Que possa trazer
Uma molécula de esperança.

Elétron
Neutron
Um sopro de vida
Mercúrio cromo
Átomo de carbono
Proton, proton, proton,
Poesia.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Chove-não-molha

Chove chuva,
Chove chuva,
Vai enchendo o Rio.
Gota d'água,
Gota d'água,
Pingo,
Pingo,
Pingo.
Cada gota me pergunta:
"Você ama?"
"Você ama?"
Queria dizer sim.
Mas, você chuva,
Você chuva
É prática.
Eu sou teórico.
Mas, você chuva,
Você chuva
Chove.
E eu, chove-não-molha.
Eu chove-não-molha.

Eu Mesmo

A vida é difícil
Pode acreditar
Mas a gente é forte
A gente sabe levar.

A gente leva os menores pra escola
Leva pau no vestibular
Leva tudo na brincadeira
A gente sabe brincar
Leva esporro dos mais velhos
Pedindo pra parar
Mas se parar não dá
Não dá pra parar.

Eu saí pra dar uma volta
Volto já
Ei mãe, por favor
Não espera eu voltar
Não espera eu chegar
Não me espera pra jantar, não.

Eu já falei mais do que devia
Já me escondi mais do que podia
Já te expliquei bem mais do que sabia
E não consegui dizer o que eu queria
Escute o que tenho a dizer
Meu bem, eu não consigo ser eu mesmo
Quando estou perto de você
Eu não consigo ser eu mesmo
Eu não consigo ser eu mesmo
Eu não consigo ser eu mesmo, não!

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Deserto

É aqui que a estrada começa
E os problemas acabam
Esvazie a cabeça
Pegue o volante
E pelo menos por um instante
Não tente pensar em nada
A não ser em não voltar tão cedo para casa.

Olhe a estrada deserta e
Aceite o convite
Pise cada vez mais fundo e
Veja outra cidade ficar pra trás
Mas cuidado com a curva perigosa
Nunca se sabe o que há
Do outro lado.

Quando você está sozinho se esquece dos problemas
Então ligue o rádio no último volume e
Ouça os sons do silêncio
O barulho da solidão e
Talvez isso lhe faça bem ao coração.

Não se preocupe com o perigo
Pois o farol ilumina a escuridão e
Estará sempre á sua frente
Continue dirigindo e
Vá sem direção e
Talvez isso lhe faça bem ao coração.

Então siga seu rumo incerto
Neste caminho deserto
Talvez isso lhe faça bem ao coração.

Então siga seu rumo incerto
Neste caminho deserto,
Deserto.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Solitário

Eu não tenho tempo pra nada
A minha vida anda muito agitada
Eu não tenho tempo nem pra amar...

E dizem que sou o culpado
Mas eu te digo: "Isso é papo furado."
História de quem não tem o que inventar...

Eu não tenho culpa
Se o mundo gira ao contrário.
Eu não tenho culpa
Ele me fez solitário.

Eu passo o tempo
Olhando para o relógio.
A vida passa e eu
Querendo me encontrar...

Me perguntam por onde tenho andado
Eu respondo que estou "meio parado".
Como uma ilha que ninguém
Consegue mais encontrar...

Eu não tenho culpa
Se o mundo gira ao contrário.
Eu não tenho culpa
Ele me fez solitário.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Tempo

Eu deixei a TV ligada
E sai pra procurar
O que nunca tive a chance de perder
E me sai bem, eu encontrei você
Mas, você não quis vir comigo
Me disse não quando lhe ofereci abrigo.

Eu preciso de um tempo
Pra curar a dor.
Eu preciso de você
Pra ser o meu amor.

Quando penso em voltar
Fico pensando se,
Já não tomaram meu lugar
Que eu tinha aí.
Se você vai estar me esperando,
Ou se eu vou estar me enganando.

Eu preciso de um tempo
Pra curar a dor.
Eu preciso de você
Pra ser o meu amor.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Os Dez Mandamentos

As horas passam e eu não durmo
Pensando no que aconteceu.
Mas, se o homem não foi feito pra derrota,
Essa guerra você ainda não venceu.

O que é certo já não faz sentido.
O que é errado já é tão normal.
E hoje o dia não é tão bonito.
A nossa vida chega a ser banal.

A nossa vida anda tão sem graça.
A nossa história está faltando sal.
Tem gente até pensando em suicídio.
Ah! Como é chata essa vida real...

O que é certo já não faz sentido.
O que é errado já é tão normal.
E hoje o dia não é tão bonito.
A nossa vida chega a ser banal.

Você já não é mais a mesma.
Seu riso já não é igual.
Se bem que tudo é diferente,
De tudo o que era tão normal.

O que é certo já não faz sentido.
O que é errado já é tão normal.
E hoje o dia não é tão bonito.
A nossa vida chega a ser banal

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Ser Sem Estar

Não diga adeus,
Diga até já.
Vi que fostes embora,
Mas, sei que vais voltar.
Sei o que quero,
O que não quero um dia saberei.
Maldita hora que nosso amor morreu.
Não tenho pá para enterrar o que sinto.
E, o que sinto, sei que existe pois o sinto.
Grandiosa pequenez do humano,
Você sai pela porta,
E eu tento ver se dá pra
Ser Sem Estar.

sábado, 18 de abril de 2015

Construção Civil

Perguntei se ela me amava
Ela disse que seu amor
É vermelho tijolo.
Vermelho tijolo,
Eu pensando que fosse
Vermelho paixão.

Ela não me ama.
Mas, isso não é problema algum,
Eu também não me gosto tanto assim.
Certamente me gostaria mais
Se ela estivesse comigo.
Não está.
Castigo.

Ela não me ama.
E o que sinto é um vazio,
Uma fome, uma sede, uma dor,
Um aperto abrasador
No peito nú.

Raios de sol queimando o dorso,
Mas, eu não falo.
Vermelho tijolo,
Amor de construção civil.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Os Operários

Os operários constroem um prédio
Com cimento e tijolo.
Muitos não sabem escrever
Cimento e tijolo.
Mas, vão utilizando
Cimento e tijolo,
Vão falando
Cimento e tijolo,
Vão construindo a vida
Com cimento e tijolo.
E sabem que são operários
Mesmo sem saber interpretar a
Representação gráfica
O-PE-RÁ-RI-OS.

Os operários são mais que proletários,
São homens.
O fato de sentirem-se inferiores
Só existe pois outros homens,
Homens, HO-MENS,
Se acham melhores
Do que o saco
De merda que são.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Erros De Novo

Na realidade, ou irrealidade,
Eu não acredito na humanidade.
Não é da derrocada das utopias que falo,
Apenas não acredito em mim.
Sei o quanto sou mentiroso,
Por mais que prometa mil coisas,
Sempre repito meus erros de novo.

Não me faça discursos vazios de significado.
Não diga que precisamos
Reconstruir o que foi desconstruído.
Eu acredito na igualdade.
E, se todos são iguais a mim,
Sei o quanto sou orgulhoso,
Por mais que prometa mil coisas,
Sempre repito meus erros de novo.

Não estou falando de estado de natureza,
Nem de estado de guerra.
Apenas de como é fácil
Maltratar a quem nos ama,
Ou enganar quem não engana.
Falo com a autoridade de quem
Conhece bem a peça.
Sei o quanto sou rancoroso,
Mesmo que peça desculpas,
Sempre repito meus erros de novo.

E de novo,
E de novo,
E de novo...

terça-feira, 14 de abril de 2015

Humanidade

Pensar
Repensar
E fazer tudo errado de novo.

Criar
Recriar
E por engano ou desengano
Dar vida ao inconcebível
Só para que nossa cria
Pegue uma faca e corte uma fatia
A mais tenra e macia
Do nosso coração.

Construir
Desconstruir
E ver se dá para se esconder
E sobreviver nos escombros.

Escrever
Reescrever
Só para ter o prazer
De ser outra pessoa
E ter uma nova chance de recomeçar.

Tentar
Sentir
Sem ressentimento
Ser humano
Apesar de tantos atentados
À nossa humanidade.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Sobre os livros que li - O Cavaleiro Inexistente

Li recentemente O Cavaleiro Inexistente, de Italo Calvino. Me pareceu que esta história queria questionar a todo instante o que era ou não real. Evidentemente havia humor em como foi estruturada.

Um cavaleiro que não possuía um corpo sob a armadura, e que talvez fosse melhor cavaleiro que todos os demais. Um louco sem nome, posto que na multidão de nomes que possuía era como se não tivesse nome algum, que existia mas não se dava conta disso. Uma mulher que desprezava os homens que eram de carne e osso correndo atrás do homem que não existia.

Mais do que nunca antes nós precisamos de uma identidade que parece nos escapar, principalmente quando precisamos responder a pergunta sobre quem nós somos.

Me parece que Calvino sabia que a modernidade acentuaria ainda mais esse sentimento de estar perdido quando a questão é dizer quem realmente somos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Sobre os livros que li - BLADE RUNNER

Blade Runner ou Andróides Sonham Com Ovelhas Elétricas?






Recentemente li o livro Andróides Sonham Com Ovelhas Elétricas?, de P. K. Dick. Poucos autores conseguem criar universos tão ricos quanto Dick.

Nesta obra nós somos apresentados a um mundo distópico, apocalíptico, onde a poeira e a radioatividade acabaram com praticamente toda a vida animal. Ter um animal, qualquer que seja, é um sinal de grande status e distinção social.
O protagonista, Deckard, é um policial que aceita caçar um grupo de andróides pensando em ter algum dinheiro para substituir sua ovelha elétrica por uma de verdade.

Enquanto somos conduzidos pela caçada, somos apresentados a um tipo de religião, o mesmerismo, e a um programa de TV e rádio de um andróide chamado Buster Amigão. Há um duelo entre eles pela preferência das pessoas. Deckard se questiona, em dado momento, se ele mesmo não é um andróide, e acaba traindo a esposa com uma andróide.

No livro percebemos temas recorrentes em Dick, a religiosidade, a existência do real, o futuro caótico, etc. Certamente é um livro que merece ser lido, ainda mais com o avanço tecnológico que promete desenvolver a inteligência artificial e, quiçá, andróides funcionais em bem pouco tempo.

Entretanto, o filme Blade Runner, dirigido por Ridley Scott e baseado nesta história, me pareceu mais completo que o livro. Parece que muita gordura foi deixada de fora, resultando numa obra muito mais enxuta.

Quem leu o livro consegue perceber que muitas coisas do enredo do livro estão presentes, mesmo que não sejam aprofundados, o que de certa maneira faz com que uma obra complemente a outra.

O filme me parece mais filosófico, e faz o desespero dos andróides por mais algum tempo de vida ser mais pungente. O embate entre os personagens Deckard e Batty no final demonstra o quanto Batty, o andróide, era humano, e sua frase final é, talvez, o epitáfio mais forte para a pequenez humana.

No fim do filme mais do que no livro nós ficamos com uma pergunta ressoando: seriam os andróides mais humanos do que os humanos que os perseguem? 

O lançamento da continuação deste filme está marcado para 05/10/2017. Ele foi dirigido por Denis Villeneuve, o mesmo diretor do ótimo A Chegada. Os trailers já estão no YouTube. Parece que ele fez um bom trabalho. Eu torço para que essa continuação seja digna da obra prima de Ridley Scott.