quarta-feira, 28 de junho de 2017

Okja





Este é um filme sobre ganância, o poder das empresas, extremismo e ativismo animal. Provavelmente vai agradar a vegetarianos, mas, no fundo, talvez sua maior característica seja o cinismo.


Sinismo por mostrar o quanto é cruel o sistema de criação de gado para o abate, mas, no fim dizer que, infelizmente, tudo vai continuar como sempre foi. Não existe uma Temple Grandin nesse filme, e todos os protótipos de uma se mostraram totalmente impotentes frente ao sistema.


Na trama, uma empresa realiza mudanças geneticas em animais de corte visando criar um novo tipo de gado que seja, no fim das contas, mais lucrativo para ela.


Um desses animais vai ser criado cercado de amor por um idoso e sua neta numa numa região montanhosa paradisíaca.


Depois de dez anos a empresa quer recuperar seu investimento, mas, a menina não vai ficar de braços cruzados vendo sua amiga se tornar bacon.
Filme bom. Boas atuações de Tilda Swinton, Jake Gyllenhaal, Paul Dano e da menina Seo-Hyun Ahn.


Tem uma temática um pouco baseada em ficção científica, bem pouco, mas, tá valendo, é um bom filme. Parabéns Netflix.

domingo, 28 de maio de 2017

Corra!!!

Corra!!!



Em primeiro lugar eu gostaria de saber o que classifica um filme como sendo de terror. Falo isso pois em momento algum eu me vi assistindo a um filme de terror. Acredito que o filme em questão, corra, é um suspense.

Na minha cabeça as coisas funcionam mais ou menos assim: se uma narrativa é assustadora e decide mostrar o motivo do medo, ou do que se deve ter medo, esse filme é de terror. Porém, se ao invés de mostrar o filme faça a opção de insinuar, então ele é suspense.

Eu sei que as coisas nem sempre são tão fáceis assim. Mas, tem funcionado para mim. Dentro desse esquema, Corra  é um filme de suspense.

É preciso dizer que é um dos melhores filmes de suspense dos últimos anos. Acredito que qualquer pessoa, independente da cor da sua pele vai conseguir ter empatia com o personagem principal do filme, entretanto, se você for negro esse filme vai ganhar significado muito mais profundo.

As situações de preconceito pelo qual o personagem passa é semelhante a diversas situações que qualquer negro passa na sua rotina diária.

Eu me lembro de várias situações onde fui vítima de racismo. Uma vez eu estava trabalhando em um prédio na reforma de um apartamento no bairro do Largo do Machado, no Rio de Janeiro. O acesso dos funcionários da obra devia ser sempre pelo elevador de serviço. Eu descia o elevador no final da tarde para ir pegar um ônibus até a Central do Brasil e de lá pegar um trem para minha casa.

O elevador parou em um andar antes do terreo e quando a porta abriu uma senhora idosa e branca como papel ofício  iria entrar nele, e ela chegou a pôr um dos pés dentro do elevador, mas, quando me viu disse: "Nossa Senhora!"

Ela desistiu de entrar no elevador.

Uma outra vez fui na praia da Barra da Tijuca  com dois casais amigos, nossas esposa ficaram ficaram na areia e nós fomos caminhar pela orla. Nós três éramos negros.

Próximo a um quiosque onde várias pessoas brancas bebiam chope e água de coco, um idoso branco que caminhava pela orla estendeu o braço direito com a palma da mão aberta como se fosse um modelo daqueles sinais de pare.

"Dez metros de distância, por favor! "

Foi tudo o que ele disse num tom de voz firme e seco. Nós paramos olhando um para o outro tentando entender aquela situação, mas o velhinho repetiu:

"Dez metros de distância, por favor!"

Nós estávamos vestindo sunga de praia e short tactel por cima da sunga. Praticamente todos ali estavam de short ou apenas de sunga. A única diferença é que éramos negros.

Uma vez eu estava voltando do trabalho. Eu trabalhava na época no hospital psiquiátrico Nise da Silveira. Peguei o ônibus Méier X Nova Iguaçu e no meio da viagem havia uma blitz policial.

Preciso dizer que o ônibus estava cheio de gente, mas que o policial foi em cima do único negro de short e chinelo Havaianas? Sacudiu todo o conteúdo da minha mochila no chão do ônibus e depois mandou eu recolher o meu uniforme sujo e a minha marmita.

Tem uma outra vez...

Tem um outro dia...

Em fim, eu gostei do filme Corra, e me senti na pele do personagem. Acaba que essa história poderia se passar bem aqui no Rio de Janeiro.