quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Auto-Oficina Literária - A Inspiração 1

(J. C. Peu)

A inspiração, ou seja, a disposição de ânimo especial que faz você se sentir capaz de realizar a melhor obra já feita, a viagem nunca antes imaginada, ou simplesmente um poema singelo, mas capaz de tocar o mais fundo possível do coração do homem, existe realmente. É, porém, muito instável.
Se a inspiração não existisse não haveria artistas. Mas a instabilidade dela é tanta, que podemos dizer que nenhuma obra, ou pouquíssimas delas, devem ser creditadas apenas á inspiração. O que acontece com mais freqüência é que uma idéia, surgida num destes momentos iluminados, é trabalhada incansavelmente até resultar numa grande obra. Geralmente o artista tem de utilizar de diversos artifícios para que a urgência de criar continue durante todo o processo de criação da obra.
Embora não possamos controlar a inspiração, nem ditar em que momento ela deve aparecer-nos, podemos cooperar com ela, conosco e com o universo ao nosso redor, para que ela se sinta á vontade para aparecer quando quiser.
Dado que este texto faz parte de uma Auto-Oficina Literária, analisemos um pouco como podemos cooperar com a inspiração.
Se o primeiro conselho a ser dado a um escritor é “leia, leia, leia e leia”, o segundo conselho é um pouco mais específico. A inspiração para se escrever um romance de ficção científica, geralmente, surgirá a partir do mergulho em obras de ficção científica, sejam elas livros, filmes, peças de teatro, ou até mesmo a partir do conhecimento de obras de cunho acadêmico na área das ciências, ou notícias de ciência e tecnologia.
Continuando a utilizar este mesmo exemplo, se uma pessoa costumar ler com mais freqüência, histórias de robôs de Isaac Asimov, ou distopias como as de Aldous Huxley e George Orwell, no campo da literatura. Se gosta em especial de assistir a filmes como Matrix, Avatar, Distrito 9, Não Me Abandone Jamais, etc, é mais provável que venha a ter inspiração para desenvolver histórias com este mesmo teor.
Embora isso não seja uma regra, e, mesmo se fosse uma regra, toda regra tem exceção, é bom que quem quer escrever ficção científica, para continuar no mesmo exemplo, seja um bom leitor de todo tipo de literatura, desde as obras clássicas até as contemporâneas, mas seja um ótimo leitor, acima de tudo, de obras de ficção científica. O ideal é que respire ficção científica, e conheça profundamente todas as grandes obras deste gênero, ou na impossibilidade disso, que conheça pelo menos as mais conhecidas.
O ideal é que um escritor de ficção científica tenha por objetivo ser um especialista em ficção científica, ou seja, que saiba cada vez mais sobre cada vez menos autores e livros de ficção científica. Entenda um ponto básico: Não há garantias quanto a se o seguimento desta dica possa despertar em você o comichão que geralmente é chamado de inspiração, mas, pode ser que ajude...  
Deve ser lembrado, também, que a ficção científica foi apenas um exemplo, e que poderia ser utilizado outro gênero literário sem que fosse preciso modificar muito este texto.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Escola

(J.C. Peu)
Um quadrado,
Um monte de pessoas,
Nenhuma imaginação.
É a descrição de uma sala de aula.
A descrição de uma escola é diferente:
Dez quadrados,
Mais pessoas ainda e
Menos imaginação.

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Revolta

(J.C. Peu)

Amor, volta
E trás de volta
Minha alma
Que estava morta
Desde sua partida.

Amor, re-volta
Coloca a mão
Dentro do caixão
E sacode, acorde
Este corpo morto,
Me acorde pra vida.

Amor, na volta
Traga refrigerante
E vontade de viver.
Traga também uma corda.
Não se preocupe com a ambigüidade
Que este pedido possa trazer
Não, não e não!
Não é o que você pensa
O que eu quero dizer.

Amor, volta
E, uma meia-volta seria o ideal.
Volta e traga de volta
O que você não levou
Um grito, um tiro,
Re-vól-ver.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Ficção Científica

Na época do lançamento do filme "Distrito 9" escrevi um pequeno texto que acho legal postar novamente, pois falei sobre o filme "Lunar" e acabei lembrando deste texto, espero que gostem.

(José Carlos Peu)

Até meados da década de 1990, ‘2001, Uma Odisséia no Espaço’, ‘Blade Runner’, ‘Star Wars’, eram considerados ‘clássicos’, o que melhor se fez no cinema de ficção científica. Com um ou outro título sendo acrescentado ou retirado desta lista dos melhores, exemplo de ‘E.T. O Extraterrestre’, ‘Laranja Mecânica’, ‘Contatos Imediatos do 3º Grau’, ‘O Dia em Que a Terra Parou’, ‘O Planeta dos Macacos”, etc, tudo já estava definido. Parecia que tudo era um fato consumado e que nada de importante surgiria. Porém, esqueceram de avisar isso a Andy e Larry Wachowski, e eles lançaram em 1999 ‘Matrix’, filme que tornou-se a ‘pedra de toque’ de todos os outros filmes de ficção científica por um bom tempo.

A importância de uma obra de arte não pode encerrar-se em si mesma. Tal importância reside, em minha opinião, muito mais na capacidade de influenciar outras obras de arte em seu ramo e, até mesmo, influenciar obras em outras mídias. Neste quesito, é fácil entendermos a importância do filme ‘Matrix’ para a cultura, seja ela pop ou não. Este filme influenciou o cinema, posto que a maioria dos filmes posteriores se parecem um pouco com ele. Mas influenciou também quadrinhos, séries de TV, literatura, e até universidades. Não falo apenas dos cursos de filosofia, lembro-me bem de uma aula de antropologia da educação onde o professor discutiu ‘Matrix’ com a turma ao explicar o conceito de realidade pouco antes de indicar um texto do antropólogo Gilberto Velho.

Se tais coisas não são o bastante para atestar que ‘Matrix’ é um dos maiores filmes de ficção cientifica de todos os tempos, o melhor desde ‘2001, Uma Odisséia no Espaço’, e um grande abre-alas para o século XXl, eu não sei mais o que poderia ser o bastante. Darren Aronofsky deu, um pouco antes de lançar ‘The Fontaine’, uma entrevista que dizia que no momento em que assistiu ‘Matrix’ ficou muito triste, pois pensava em filmar uma grande história de ficção
científica, mas, depois de ‘Matrix’, nada mais fazia sentido. Por muitos anos ele tentou escrever um grande roteiro de ficção, até que escreveu ‘The Fontaine’, que segundo ele era o mais espetacular filme de ficção cientifica desde ‘Matrix’. Apesar da brilhante atuação de Hugh Jackman como protagonista da história, quem se lembra do filme ‘The Fontaine’? Eu dou uma ajudinha, o título no Brasil foi ‘A Fonte da Vida’. Alguém se lembra?

O ‘efeito Avatar’ ainda não é plenamente conhecido, mas, ‘Avatar’ não foi o grande filme que todos esperavam que fosse. Mesmo que represente um grande avanço tecnológico, este filme não foi realmente um grande representante na galeria dos filmes de ficção científica. Um filme muito mais barato/simples que ‘Avatar’, e que apresentou um grau de originalidade muito superior foi ‘Distrito 9’. Idéia extremamente original, e com um viés social muito acima da média da maioria dos filmes de ficção cientifica recentes. Novamente digo, em minha opinião, ‘Distrito 9’, de Neill Blomkamp, é o melhor filme de ficção científica desde ‘Matrix’. Uma das grandes qualidades de ‘Distrito 9’ era a mistura de ficção e documentário. Esta técnica, quando bem utilizada, produz um efeito de potencializar a sensação de realidade
nos espectadores do filme. Um filme espetacular que utiliza muito bem esta mesma técnica é o curta ‘Recife Frio’, de Kleber Mendonça Filho, que trata de uma inexplicável mudança climática que faz cair neve em pleno Pernambuco. Este filme é altamente recomendável.

Hoje sabemos que a história é cíclica, e que recomeça a cada instante. Não há motivos para nos fecharmos na velha concepção do que era ‘clássico’, e do que era ‘descartável’. O novo está sendo criado, agora, neste momento, que venham novas histórias!

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Lunar

(J. C. Peu)

O filme Lunar não é uma obra prima. Em algumas partes explica demais o que poderia deixar para os espectadores descobrirem sozinhos, em outras não mostra nada do que os espectadores gostariam de ver. Ainda assim, Lunar é uma obra respeitável. Em nenhum momento agride a inteligência dos espectadores, como é comum em alguns filmes de ficção científica recentes, e consegue equilibrar perfeitamente doses de filosofia, crítica social, e o uso de efeitos especiais.
Sam Bell, praticamente o único personagem do filme, é um operário multiplicado como gado, criado como gado, e trabalha como gado. O que o alimenta é a idéia de retornar para a esposa e para a filha. Porém, não sabe que a esposa e a filha não passam de implantes de memórias do verdadeiro Sam Bell, que vive muito longe dali, com a verdadeira filha, que na memória tem três ou quatro anos, e na realidade conta quinze anos.
Sua maquete, onde dedica as horas de folga, já foi de vários outros Sam’s antes dele, e será dos futuros Sam’s após ele, já que sua desintegração física é visível. Sam está passando da validade. GERTY, o seu computador e amigo, quase lhe diz isso de forma direta. O tempo de Sam acabou, tanto é que GERTY acorda outro Sam, sem nunca imaginar que este Sam resgatará o outro Sam acidentado.
Mas, quem é o verdadeiro Sam? O verdadeiro Sam, pelo menos o Sam original, está na terra e é chamado pela adolescente para falar com o Sam que acompanhamos desde o princípio da história. O Sam operário se recusa a ver seu molde. Isso não é necessário para que ele se convença que é apenas um peão nas mãos do grande conglomerado que é a LUNAR, empresa em que vive.
Sam sempre esteve condenado. A LUNAR não se importa com ele, importa-se apenas com os 32% de desvalorização que o escândalo dos Sam’s lhe causa no mercado internacional. O filme peca em correr demais no fim para dar um desfecho à história, mas, não há desfecho. Na verdade a questão é: Será que não somos Sam Bell? Será que não estamos sendo ludibriados de alguma maneira por grandes corporações que nos controlam mesmo sem percebermos? Será que este flagrante desrespeito ao ser humano quando for revelado mudará alguma coisa, se não para nós para outros Sam’s Bell? O filme não mostra, e a vida também não.

Assisti este filme semana passada. Como já disse, não é uma obra prima, mas é, sem medo de errar, um dos melhores filmes de ficção científica deste nosso século XXI. Comprei o DVD na loja virtual do Walmart por R$ 12,90, não paguei o frete e ainda recebi um desconto de 60 centavos. Altamente recomendável. Valeu cada centavo!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

No Trem Para Japeri

(J. C. Peu)    

                                                   
            Erick havia abandonado o segundo ano do segundo grau desde a metade do ano. Por volta do dia 10 de dezembro de 1998 eu já tinha todas as notas, todos os resultados que diziam que eu, finalmente consegui concluir o segundo grau. Era assim que se chamava o Ensino Médio na época. O Bira ainda estava no período de provas. Ele estava cursando o segundo ou o terceiro ano, não lembro direito.
            Cada um de nós estudava num colégio diferente, mas, por via das dúvidas, preferimos não explicar isso muito bem ao nosso empregador. Éramos peões de obra na reforma da Servicenter, loja de peças e eletros domésticos de cozinha que funcionava na rua Voluntários da Pátria, em Botafogo. Esta loja existe até hoje, embora não com o mesmo nome, no mesmo endereço, próximo á Cobal do Humaitá.
            Por causa dos estudos saíamos do trabalho ás h. Uma hora a menos de trabalho. Os outros peões ficavam soltando piadinhas, dizendo que estávamos inventando que estudávamos só para sairmos mais cedo. Era intriga da oposição. Tudo o que queriam era poder sair, também mais cedo.
            Neste dia específico, lembro que era uma quarta-feira, tomamos banho e nos arrumamos rapidamente, com exceção do Erick, ele andava com um monte de óleos e cremes da Natura na mochila, e não tomava banho na maioria dos dias. Não demorou nem cinco minutos para passar o 173 em direção da Central do Brasil. Era a opção mais rápida. O 178 também era uma boa opção, mas o 173 era ainda mais rápido.
            No caminho não encontramos nenhum engarrafamento em Laranjeiras ou no Catumbi. Pensávamos que iríamos chegar cedo em casa, ou na escola no caso do Bira. Mas, na Central tudo estava um caos. Dezenas de seguranças com seus coletes vermelhos e cassetetes caçavam camelôs pelas plataformas. Era uma praça de guerra. Camelôs pulando plataformas, jogando pedras nos guardas, apanhando muito e sendo arrastados para fora da estação.
            Milhares de pessoas se espremiam nos cantos para se afastarem um pouco da confusão. Porém, um número cada vez maior de pessoas chegava a cada minuto. Estava chegando o horário de maior movimento do dia. Não havia trem marcado nem para Japeri, nem para Santa Cruz, nem para Belford Roxo. Naquele tempo o trem para Gramacho ainda saia da estação da Leopoldina. Os lugares aparentemente mais calmos eram próximo ás plataformas de 1 a 4. Muitas pessoas foram para lá para fugir do tumulto. Nós fomos também, mas foi só ilusão.
            Os camelôs, fugindo dos guardas, se misturavam no meio da multidão e escondiam suas mercadorias perto dos passageiros na intenção de que os guardas não as encontrassem, posto que confiscam as mercadorias que não possuem nota fiscal e expulsam, muitas vezes de forma violenta, os camelôs da estação.
            Estávamos angustiados e apreensivos com aquela situação. A Continental, como chamávamos a Servicenter por ela ser uma autorizada da Continental 2001, não nos dava passagem para viajarmos de ônibus. Dependíamos do trem. E, mesmo se nos dessem a passagem de ônibus, economizaríamos dinheiro optando pelo trem de qualquer maneira.
            Não havíamos percebido, mas um camelô havia escondido perto de nós uma caixa de isopor cheia de latas de refrigerante e cerveja. Havia sido anunciado um trem para Santa Cruz que sairia da plataforma 6 linha F. Ficamos atentos posto que poderia ser anunciado um trem para Japeri a qualquer instante. Começamos a nos mover no meio da multidão em direção das plataformas 8 ou 10, já que é mais provável que um trem para Japeri seja anunciado nestas plataformas mais do que em qualquer outra.
            Por algum motivo, parecia que o tumulto referente a caça aos camelôs havia cessado e o tumulto reinante á partir daquele instante seria apenas, como é de praxe, referente a achar um lugar sentado, ou num lugar do vagão onde, mesmo em pé, desse para se acomodar melhor.
            Alguém se esqueceu de avisar para um dos guardas de que não é bonito jogar os camelôs contra os passageiros do trem. Todos sabem que os passageiros têm a tendência de tomarem posição á favor dos camelôs contra os guardas das estações. Um guarda pediu ao Erick que pegasse a caixa de isopor que estava bem próxima dos seus pés e lhe desse. Na correria, não tivemos tempo de prestar atenção a tudo que acontecia ao nosso redor. Se tivéssemos percebido o que ocorria, teríamos alertado ao Erick quanto a não pegar a caixa, ou teríamos o puxado para o meio da multidão.
            Ele parou, pegou a caixa e dirigiu-se em direção do guarda que o chamou para entregá-lo. O guarda segurava em uma das mãos um garoto, talvez uns 15 anos ou menos que isso. A caixa era do garoto. Junto com este guarda havia outros dois carregando um monte de mercadorias apreendidas. Quando isso aconteceu, vários camelôs e alguns passageiros que estavam acompanhando a situação começaram a gritar e xingar o Erick. Ele ficou parado com a caixa de isopor na mão sem saber o que fazer. Os gritos e xingamentos diziam que ele estava tomando posição á favor dos guardas. Ele olhava de um lado para o outro, e por fim decidiu deixar a caixa no chão. Era tarde, o guarda já se dirigia em sua direção e pegou a caixa.
            Os xingamentos aumentaram de intensidade. Eu e o Bira voltamos para o lado do Erick, mas o problema é que havia muitos camelôs, e temíamos que avançassem no Erick para descontar nele a raiva que sentiam contra os guardas. Outros guardas surgiram, e ficamos no centro da confusão. Os camelôs, de fato, queriam bater no Erick, e por extensão acho que sobraria sopapos para mim e para o Bira.
            Os guardas chegaram batendo com violência nos camelôs, que revidavam como podiam, mas não era a mesma coisa. Um técnico de refrigeração que trabalhava na Servicenter dizia sempre um bordão que havia aprendido nos tempos do serviço militar, “contra a força não há resistência”. Foi um massacre, uma pancadaria violentíssima. O pior é que se não tivesse acontecido, talvez quem tivesse sofrido graves agressões seriamos nós.
            Recebemos a proteção e a escolta de 4 guardas. Foram conosco até a estação de São Francisco Xavier. Depois que eles desembarcaram, ficamos com medo de algum camelô querer nos atacar até descermos em Comendador Soares. O velhinho que vende pele, e que tem o bordão “toda hora eu vendo, nhac!” nos olhou como se perguntasse se queríamos comprar um saquinho de pele, mas interpretamos seu olhar como uma promessa de retaliação.
            Um negro, alto, forte, com uns 1,90 de altura e uns 100 quilos, de expressões faciais nordestinas, que passou vendendo picolé com uma caixa de isopor enorme, pareceu por um instante que daria um soco só e derrubaria nós três. Nunca orei tanto quanto naquele dia, e mesmo assim, a viagem nunca pareceu tão longa.
            No dia seguinte, eu e o Bira não fizemos outra coisa se não contar para todo mundo na obra o que aconteceu com o Erick. Omitimos, claro, a nossa participação na história. Não contamos que se batessem no Erick, provavelmente, apanharíamos juntos. Rimos do Erick até o fim do ano.

Auto-Oficina Literária - Blogs

(J. C. Peu)

Em muitos blogs direcionados para novos escritores encontramos uma mesma dica: Leia, leia, leia! Alguns dizem que se deve ler de tudo, desde livros clássicos, até livros mais comerciais. Esta dica é muito boa, embora eu acho que, independente de lermos clássicos ou não, o importante é lermos bons livros, com boas histórias.
Como estímulos para boas ideias na hora de desenvolver uma história, podemos assistir bons filmes, irmos em exposições legais, ou simplesmente prestar mais atenção a tudo o que acontece ao nosso redor. Muitas vezes deixamos escapar bons argumentos, apenas por não estarmos atentos ao nosso redor. Algo muito bom, também, é ler blogs e sites legais, e temos uma grande variedade deles. Veja uma pequena lista de bons blogs que merecem ser visitados:

O Nerd Escritor:
http://www.onerdescritor.com.br/
O Escrivonauta:
http://www.escrivonauta.com/
Vida de Escritor:
http://dicasdoalexandrelobao.blogspot.com/
Ofício Literário:
http://blog.oficioeditorial.com.br/
Aprediz de Escritor:
http://aprendizdeescritor.com.br/
Vida Breve:
http://www.vidabreve.com.br/
Todo Prosa:
http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/
Fato Literário:
http://www.clicrbs.com.br/especial/rs/fatoliterario/home,0,5267,Home.html
Livros Só Mudam Pessoas:
http://www.livrosepessoas.com/
Babi Dewet:
http://www.babidewet.com/
Criando Testrálios:
http://www.blogcriandotestralios.com/
Eric Novello:
http://ericnovello.com.br/
Garota It:
http://garotait.com.br/
Listas Literárias:
http://listasliterarias.blogspot.com/
Livros em Série:
http://livrosemserie.com.br/
Lost In Chicklit:
http://www.lostinchicklit.com.br/
Sobre Livros:
http://www.sobrelivros.com.br/
Bestiário:
http://www.bestiario.com.br/maquinadomundo/
Brinkscadeira:
http://brinkscadeira.blogspot.com/
Rascunho:
http://rascunho.gazetadopovo.com.br/
Literatura Na Poltrona:
http://oglobo.globo.com/blogs/literatura/

Existem milhares de outros sites e blogs onde, além de saber das novidades do mundo literário, se pode aprender muitíssimo sobre escrita e Literatura. Leia, leia, leia blogs literários!!!

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Auto-Oficina Literária - O Escritor

(J. C. Peu)

O escritor é o único artífice que dedica seu tempo, seus esforços, enfim, sua vida a fazer algo que não sabe ensinar. Um pedreiro, um eletricista, um médico, um engenheiro, todos conseguem ensinar a outros seu fazer, seu ofício. Porém, um escritor não tem como fazer isso, posto que nem mesmo ele tem certeza que sabe alguma coisa referente a sua arte, já que em cada nova obra, um novo desafio se apresenta corporificado pela página em branco.
Na verdade, é até difícil para todos, inclusive para o próprio escritor, acreditar em si mesmo, no seu domínio da arte da escrita. Se um médico, um carpinteiro, ou um pintor, possuem um objeto material, concreto, para se debruçarem sobre ele, o mesmo não acontece com o escritor. O que ele tem são idéias, apenas isso. Além dessas idéias, tudo o que há é o trabalho, e a obsessão. Tudo o que há de concreto no ofício do escritor é, ao mesmo tempo, evanescente.
Mas, se a escrita literária não pode ser ensinada (pense em Shakespeare ou em Machado de Assis ensinando para uma classe de novos autores como alcançarem sua excelência), isso não quer dizer que ela não pode ser aprendida. Mesmo que os cursos de escrita criativa, tão comuns em outros países, estejam chegando ao Brasil, eles nunca foram uma garantia de aprendizado real da arte da escrita para as pessoas que passam por eles. Oficinas literárias ajudam bastante a aprendermos algumas técnicas que servem como o ‘pulo do gato’ para resolvermos alguns problemas que talvez tenhamos na escrita de algum texto específico, mas, também, não são nenhuma garantia de que sairemos delas escrevendo como um Guimarães Rosa, ou um Asimov no caso da ficção científica.
Penso que não há nenhuma escola melhor para escritores que a própria vida. Parece-me que sempre há um pouco de autodidatismo em todos os escritores, ou na maioria deles. Na maioria das vezes dá até para reconhecer a vida do escritor por meio de sua obra, mesmo que seus escritos não sejam propriamente autobiográficos. Assim, na minha opinião, a melhor formação para um escritor está dentro de si mesmo, na sua experiência de vida.
Durante o ano passado, 2010, participei de duas oficinas literárias que tinham objetivos bastante diferentes, mas um traço comum entre elas foi que os autores responssáveis por elas, ambos autores publicados e com boa experiência no meio editorial e cultural, se apresentavam como conhecedores do ofício, mas, ao mesmo tempo, se mostravam menos confiantes em relação a seus trabalhos futuros, ou na própria validade dos conselhos apresentados.
Se um escritor, por melhor que ele seja, não pode ensinar a outros como se escreve bem, assim como Midas não tem como ensinar a outros como transformarem em ouro as coisas que tocam, isso não quer dizer que não se possa aprender como se escreve de forma literária. Na verdade, pode-se aprender a escrever sozinho, ou pode-se aprender pelo contato com outras pessoas, em oficinas literárias e em blogs por exemplo. E, a primeira dica de escrita, e a mais verdadeira, que se encontra em qualquer blog de autoajuda para escritores é:
“Não tem como aprender a escrever sem ler.”
Não perca tempo, comece a ler, ler, ler e ler!

Metacanção

(J. C. Peu)


Num canto o poeta produz
Encanto e canção
E sai do seu canto
E de sua tristeza
Invocando amor,
Evocando paixão...

Pigarreia e enceta seu canto
E dito proverbial,
Conduzindo para além
Sua própria paixão
E seu próprio ser
Sendo inundado pelo seu canto
E se encantando,
Como cantou na canção...

Pura imaginação poética
Pensar que um mero canto
Feito na tristeza de um canto
Pode refletir transcendência
Sobre si mesmo
E provocar em outros
A mesma transcendência...

Tudo no canto do poeta
Faz sentido,
Quer neste canto,
Quer naquele canto algures,
Mesmo que não tenha significado...

Como dizer que
A Paixão é tal qual
Lama seca na sola do pé.

domingo, 21 de agosto de 2011

O Dia da Caça

(J. C. Peu)


Odiava ir à escola. Fora as brincadeiras, a merenda e o doce de leite pastoso ‘Xamego Bom’, servido como sobremesa numa colher de sopa bem cheia, nada mais me interessava. Eu subia numa mangueira, que tinha os galhos estrategicamente posicionados pela natureza para facilitar a fuga de alunos insatisfeitos, e sempre inventava uma desculpa para chegar mais cedo em casa.
            As brigas e a bagunça da turma do ‘fundão’ também me interessavam. Ver uma garota, Luciana era o seu nome, chorando após toda a galera da bagunça decretar que o seu apelido seria ‘Xaropinho do Capeta’, inspirado no programa infantil do Sérgio Malandro, ‘A Hora do Capeta’, foi, para mim, uma alegria. Na abertura do programa, tinha um capetinha fazendo traquinagens. Dizíamos que ela se parecia com ele. Isso é uma das lembranças mais impactantes da minha infância.
            Outro dia, enquanto caminhava no bairro num sábado pela manhã para ir até a Rua da Feira comprar um ou dois quilos de pescadinha, vi de longe a Luciana andando de mãos dadas com seu filho e seu marido. A Rua da Feira é uma rua com algum comércio. Uma padaria, açougue, peixaria, lan house, mas nenhuma feira. Nem sequer uma barraquinha vendendo laranja e banana. O melhor lugar que encontrei para esconder-me e observá-los, foi atrás de uma árvore.
            Quase chorei de emoção ao lembrar do doce pastoso ‘Xamego Bom’, da época do Colégio Estadual São Judas Tadeu, vinte anos atrás. Comprei muitos doces de leite no decorrer dos anos, na tentativa de provar o mesmo sabor do doce da infância, inclusive da mesma marca, a do coraçãozinho vermelho, mas, parece que o sabor imaginado nunca será o mesmo do sabor real. Lembrei-me também das brincadeiras, das bagunças e da ‘Xaropinho do Capeta’.             
            Odiava ir à escola, pois, um dia é da caça e o outro é do caçador, como diz o ditado popular. Quando, numa aula de geografia, o professor cuspiu saliva e giz perguntando o local de nascimento de cada aluno na sala, uma sensação como de choque elétrico percorreu todo o meu corpo e tremi de medo. Até hoje me pergunto por qual motivo falei a verdade naquele momento. Deveria ter dito que nasci por ali mesmo, que era ‘papa-goiaba’.
            Quando respondi, meio sem graça, “São Lourenço da Mata, Pernambuco”, todos riram de mim até sentirem a barriga doer. Acharam que São Lourenço era uma piada. Todos se morderiam de inveja se soubessem que no distante ano de 2014,  alemães, italianos, franceses, ingleses, e mais turistas de mil outros lugares, andariam nas ruas de São Lourenço da Mata em direção ao estádio de futebol para assistir algum jogo da copa do mundo.
            Se tudo terminasse aqui eu não teria tantos traumas. Mas, como pode uma coisa dessa? Até a ‘Xaropinho do Capeta’ riu de mim. E ela ‘lavou a égua!’ Colocou as mãos na barriga imitando o palhaço Bozo, ou o Gato Félix, para aumentar o meu desconforto. Aquele foi o dia da caça. Escondido atrás da amendoeira, fiquei me segurando para não gritar seu apelido. Seria uma grande vingança. Iria envergonhá-la na frente do filho e do marido. Mas, se fizesse isso quem estaria fazendo um papel vergonhoso seria eu. Um homem de trinta e poucos anos agindo como uma criança. Tudo o que sentia era o cheiro do peixe e a língua coçando. Que vergonha! Todos riram de mim, até a ‘Xaropinho do Capeta’!

sábado, 20 de agosto de 2011

Chinelo

 (J. C. Peu)
            Quando era jovem, sentia um prazer inenarrável quando Ele me pisava com carinho. Quando Ele andava devagar olhando para todos os detalhes á sua volta e não tinha nenhuma preocupação com o relógio. Era como se seu desfile tivesse como o único objetivo que todos contemplassem a minha beleza. Parecia que eu flutuava pela rua, ah! Que gozo! Era como se o mundo fosse perfeito e o céu não precisasse existir, posto que eu já estava no paraíso...
            Mas, estou ficando velho e gasto. Ele me usou algumas vezes para jogar futebol no asfalto duro da rua de sua casa. Cada vez que ele corria com a bola em direção ao gol, dava pisadas vigorosas no asfalto e me machucava muito. Pressentia o pior, sabia que mais cedo ou mais tarde eu não iria agüentar este pique. Purgatório...
            Um dia desses, Ele desceu um morro com a bicicleta velha e sem freio e me pressionou contra o pneu para evitar o pior para ele. Não pensou em mim, me esfolou, me deixou com uma marca irreparável e me matou um pouquinho. Nunca senti tanta dor quanto naquele dia. Todas as topadas que se seguiram não passaram de um simples prólogo do fim que se aproxima. Inferno...
            Hoje estou velho. Logo ele irá me rejeitar por outro mais novo ou por coisa pior, um tênis ou sapato. Minha última vingança foi vê-lo ser quase arrastado para dentro do camburão por um policial que o confundiu com um bandido por estar calçado comigo. Termino minha vida útil feliz.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Epopéia

(J.C.Peu)
Mi, quando eu me for,
Fui.
Dou uma passada
Na sua casa, casada.
Um beijo, um abraço, um tchau,
Fui.
Passo na casa do Zequinha,
"-Zeca, queria fazer uma pergunta:
A gente termina o alicerce
Domingo?"
A paciência do fim de semana acaba,
Eu findo.
O Rogério foi pra enfermaria
A consciência ta me cobrando
Uma visita, e
Eu fazendo artesanato...
...Queria mesmo é terminar meu quadro,
Mas o Lessa disse apenas:
"-Zé, era azul da Prússia
Ao redor dos caquis."
E agora, José?
A light cortou a luz
Do fim do túnel.
O que falta é PAIXÃO,
Escrita assim mesmo,
Com maiúsculas.
Que dor!!!!!!
Como dói ver a Carla
Chorando por causa
Do Dente
E não fazer nada,
Pois, todo o mundo sabe
Que dor que dói mesmo
É a dor de consciência!
Querendo agradar a todos
Não agrado ninguém.
Ouço a voz do Vinicius,
Ledo engano,
O Vinicius não anda de trem.
Coitada da minha mamãe,
Nunca vai entender que
Chega uma hora
Que todo poeta fracassa
Se o amor não vem!
O ônibus ta chegando na Penha.
Olho pela janela
Enquanto as pessoas em pé nos pontos
passam.
Elas diriam, se me vissem, que
Quem passa sou eu.
Eu diria muitas coisas 'inda,
Se o que tenho a dizer
À professora
Não fosse atravancar o meu futuro,
Construindo no meio da minha sala
um muro, mas,
"Quem não tem nada a perder,
Não perde nada" - Diz o ditado.
Então pensarei duas vezes.
Uma vez, e mais outra 'inda,
Mas o que eu teria a perder,
Nem ganhei ainda.
Tô cansado de esperar a bonança,
Eu findo, minha paciência
Finda.
O camelô passa
Vendendo balas & bugigangas.
Eu compraria um ator,
Se ele me vendesse um papel,
Pois o meu está acabando.
Eu não me masturbo
Nem em pensamento!
Seria inércia dizer:
"O ônibus pára, mas,
Eu sigo ao relento."
O Luan falou que "o cavalo é doce"
E que foi no parque sábado.
Todo sábado a mesma coisa.
Todo dia é sábado,                                                                                                      E ele vive no parque.

Assim, meus olhos choram
Corações arrependidos.
Não tenho dinheiro direito
Pra comprar o que preciso.
Eu preciso apenas de
Coragem.
Mais cedo ou mais tarde
Vou ter de enfrentar a fera,
Não quero ver
Gaiolas na minha
Janela.
Mi, vou ter de sair,
Sumir por um tempo,
Pegar carona
Na mudança do vento.
To levando na bolsa
Seu beijo e alento.
E, no meu regresso,
Trarei muitos portentos.
Cheguei em casa cansado.
Tomar um banho é imperativo,
Descansar é cuidado.
Amanhã acordo cedo e
A luta recomeça outra vez.
Tem seu lugar
Confiado.