quarta-feira, 30 de maio de 2012

Intrínseca Causa

(Alexandre Lessa)



O que é a causa?
Se eu não tenho calças.
Cadê minha causa?
Foi com as minhas calças
Pra lavar...

Eu não posso abraçar
A tua esfera
Se ninguém quer me alentar
Deitado na relva

Não quero ajudar
Nem atrapalhar
Quero um par de calças
O frio é de danar!
Depois uma causa
Para o meu bem-estar.

terça-feira, 29 de maio de 2012

SAMAMBAIA VERDE SAMAMBAIA


(Dhiogo Caetano)


Em suas longas folhas, uma longa história pra contar.
Uma planta, uma herança da minha avó.
Há mais de cinquenta anos, a sua beleza verde encanta a nossa casa.
Trazendo esperança no desenrolar de suas folhas.
De forma plena ela encanta...
Nela a lembrança de um passado ainda presente.
Ontem a minha amada avó cultivava a linda samambaia.
Hoje sou o guardião da verde samambaia.
Simplesmente uma planta, mas um elemento da família...
Em suas folhas rabo de peixe se eterniza a vida...
A memória tornasse sempre presente.
O passado é constantemente revivido no desenrolar de suas longas folhas.
Mas no contexto não podemos esquecer que estamos falando de uma simples samambaia.
Uma planta que traz o verde como elemento principal da sua consagração.
Nossa samambaia!
Lembrança, passado, vida, presente, memória e uma linda história.
Nossa história eternizada naquelas longas folhas verdes.
Samambaia verdemente samambaia...

terça-feira, 22 de maio de 2012

Âmbar

(J. C. Peu)



Não sou branco
Sou franco,
O negro é pranto,
E o pranto ecoa pelo tempo
Lúgubre, lúgubre.

Sou Negro
E não um fóssil.
Eu sei me adaptar,
Meu habitat é qualquer lugar.
Respiro ares distantes,
Âmbar, âmbar.

Sou negro,
Sou homem,
Mas, se fosse branco,
Seria homem assim como sempre fui.
Isto está juramentado
E ajuramentado,
Aresto, aresto.

Sou homem
Como todos os outros.
Não digam o contrário,
Nem criem barreiras.
Uma criança nasce chorando e gritando:
"Acesso, acesso!"

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Herói Anacrônico

(A. Lessa)



Deixei de acreditar na vida,
Porque sou herói.
No meu corpo só há feridas
Por que não sou playboy?
Só quero viver!
Só quero poder crer!
Acho que tenho problema de vista...

Deixei de acreditar em Marx,
Porque sou herói.
O trabalho não reflete, e tome fax...
Eu queria ler Tolstoi
Só quero trabalhar!
Só quero poder entrar!
Acho que é a roupa que não combina...

Apesar de toda seca
Não deixei de acreditar.

Seu doutor me dê uma pista
Sou herói, não sou farrista
Dê carícias e eu lhe dou a
Represa...

Num planeta bem-dotado
Continuo mal pago
Esperando um alvo entrar
Em cena...

terça-feira, 8 de maio de 2012

Multicor

(J. C. Peu)

Negra noite
Branco dia
Negra melancolia.

Negro ódio
Amarelo alegria
Vermelho paixão
Rosa amor
Lindo dia.

A guerra é negra
É branca a paz
A cidade é cinza
O campo verde A flor lilás.

A inferioridade é negra
A igualdade é branca
O luto é negro
A dor vermelha
A morte é negra
A maternidade, rosa ou azul.

As verduras são verdes
Os legumes amarelos, laranjas e azuis
Mas a fome é negra
A fartura multicor.

A igualdade é branca
O negro é desigual
Negra noite
Branco dia
Qual a cor da harmonia?

O futebol é verde e amarelo
Mas, e se fosse lilás?
Qual seria a cor da paz?