sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Andor

Como abortar a dor
Se o andor
Me causa náusea?
O andor
É a origem da náusea
Pois, não é o andor
de um santo
Velho, encurvado e manco
Que tem por si
Em seu currículo
Uma bondade intrínseca
E comovente
Comum a todos os miseráveis
E decadentes.
O andor é o que carrega
Em seus braços,
Carrega como um barco,
E causa dor porque
Mesmo sendo cômodo
Não é prático,
Mesmo se movendo é
Estático.

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Música Sem Som

Durante todo o dia havia
Uma música em meus ouvidos
Na música alguém sorria
Mesmo que não houvesse sorrisos.

Ouvi também um som inaudível
Como aqueles de muitos prantos
Que apodrecem como o que é perecível
Ao não receber acalantos.

Mas era vibrante o referido som
Mesmos que partitura não houvesse,
Havia cadenza, havia tom...

Da letra'inda lembro d'uma parte:
Música sem som, música sem som!
De nada mais lembro-me destarte.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Solfejo

O calor anuncia
O verão...
Alegria é ver você todo dia!
Não é sonho,
Sim fantasia...

Dias mais longos
Anunciam férias,
Fim das aulas,
Adeus teorias!
Minha prática
É te ter em meus braços,
Não numa ilha deserta,
Sim todo o espaço...

Quem dera se uma poesia
Fosse capaz de
Conter todo o calor
Que sinto quando te beijo!
Assovio uma música
Andando sozinho pela estrada,
Sim, solfejo...

domingo, 4 de novembro de 2012

Narciso



Uma só carne.
É o que dizem que somos.
Metaforicamente,
Simbolicamente.
Se não,
Como desejar tanto a si mesmo,
Como excitar-se tanto com seu próprio corpo
E não morrer
Como Narciso?

sábado, 3 de novembro de 2012

Inspiração

Venha, ó musa!
Estou esperando
Sentado num ponto de ônibus
Esquina do desengano.
Vejo-a passando
Na janela de um ônibus
Musa!
Pegou o ônibus errado,
Atraso.
Tento avisá-la do erro
Não dá tempo
Foi-se o ônibus
Para o ponto final da desilusão.
Meia hora de intervalo.

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mãe Proletária


Tudo o que eu possa dizer
A seu respeito
Sempre será uma injustiça
Pois, você merece mais.
Merece amor, carinho e toda a paz
Que a vida nuca lhe deu.
Sua luta parece não ter fim.
Uma hora da manhã,
Canicaleira canicaleirando
Fios de algodão
Enquanto a Senhora,
Peneirando na ciranda da vida,
Garimpando até mais não poder
Pepitas de bons momentos
Num rio de não-paixões.
Mas, disse o profeta,
Que um dia tudo vai melhorar.
Até lá, esteja onde estiver,
Peça sempre por mim
E me ilumine.

Para minha mãe, Maria José.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Renovo

Um homem nunca mais será o mesmo
Após uma poesia.
Sairá modificado
Quer ela seja boa,
Quer seja ruim.
Sairá mudado,
Renovado,
Limpinho
E com cheirinho bom
De bom ar heraclizado...

No vir e no devir
Colocado no devido lugar
A poesia encanta
Quando nasce
De onde nascem os sentimentos,
Num choro barulhento,
Estridente e violento,
Que só o poeta ouve,
Botando a pena para traduzir
O poético lamento.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Verbo

Nascer
   Comer
      Viver
         Crescer
            Amar
               Casar
Jantar
   Falar
      Pensar
         Dormir
            Sentir
               Partir
                  Morrer,
São Verbos.
   Não ter mais nada a fazer
      Por toda eternidade,
         Até ouvir
            A voz 
               De
                  Deus,
É consequência

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Primatas Volúveis

(A. Lessa)

Formiga no azulejo
Pelo grudado no vidro
Muito cabelo encravado no colchão...
E o resultado da briga:
O homem é tudo uns animal.

Suor manchou a parede
Colcha na terra batida
Cuspe sujando o tapete de algodão...

E o resultado da briga:
O homem é tudo uns animal.

Tênis pegando na parede
Velcro arrastando na seda
Ouro com prata dá gusa imantada...

E o resultado da briga:
O homem é tudo uns animal.

O homem bateu a porta
A mulher ficou dormindo
Chave e ardósia, um som, nenhum suspiro...
E o resultado da briga:
Homem e mulher são tudo igual.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Liberdade

(J. Peu)



Eu tenho toda liberdade
Que meu dinheiro pode comprar
Eu vendo o almoço
Para comprar o jantar
Eu tenho $1,85 no bolso
E toda liberdade
Que der para levar
E levo tudo embrulhado
Em uma página de classificados
Com todas aquelas
Ofertas imperdíveis
Eu tenho toda liberdade do mundo
Vendo com os olhos
Lambendo com a testa
Bem na minha frente Eu pego toda liberdade
Que posso carregar comigo
Para todos os lugares
Até que ela cai no chão
E se quebra em mil pedaços
Que não posso contar
Eu tenho toda liberdade
Que meu dinheiro pode comprar
Eu compro toda liberdade
Que der pra levar
Dentro do bolso
E vendo.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ray Bradbury


No dia 06 deste mês morreu nos Estados Unidos, aos 91 anos, o escritor Ray Bradbury, um mestre da ficção científica. Este foi um acontecimento muito triste para todos os amantes da boa e velha ficção científica. Fiquei tão triste o dia inteiro que parecia que eu havia perdido um parente próximo. Depois eu cheguei a me envergonhar por isso, mas... Na verdade, ele era um dos últimos grandes mestres do gênero.  O tom poético das suas mais de 500 obras ajudou a tornar a ficção cientifica mais respeitada dentro da literatura.

A lenda, e também o prefácio do livro, diz que ele foi escrito por Ray Bradbury em um dos porões da universidade da Califórnia, e que ele pagava dez centavos para usar a máquina de escrever por meia hora. Nove dias depois terminou seu livro mais famoso.

Eu tenho a edição de bolso deste livro. Custou apenas R$ 19,90. Foi o dinheiro mais bem gasto da minha vida. No livro, é proibido ler livros, mas disso todo mundo já sabe, mas o que é mais difícil de saber é que não apenas a história em sí, mas a forma que ela é contada é espetacular. Assim que terminei sua leitura comprei outro livro de Bradbury, "As Crônicas Marcianas". Qualquer coisa que eu escreva sobre este livro sempre será uma grande injustiça. Tudo o que posso dizer é que este livro precisa ser lido.

Ainda não li mais nenhuma obra de Bradbury, mas vou procurar com a certeza de que será uma leitura maravilhosa. É 100% garantido!


"Fahrenheit 451" virou best seller e filme do cineasta francês François Truffaut. Semana passada assisti ao filme no Youtube. O endereço do vídeo é : http://www.youtube.com/watch?v=ZriW3CPU9G4
Procurei mas não achei ainda alguma coisa sobre crônicas marcianas no Youtube, caso encontre algum vídeo legal vou passar o endereço.




quarta-feira, 27 de junho de 2012

Selo Moebius de Qualidade


(A.Lessa)



Saia da garagem, Seu Moebius!
Saia desse canto de armação!
Já cansei de tanto hermetismo!
Cinismo, não!

Essa poesia tem seu selo.
Essa tinta parece carmim.
Uso para embelezamento.
Afeito, sim!

Sai fora! Se cria! Escarra!
Pode até chamar a Laura
Que eu tô legal.
Eu não tenho medo de palma
Me passa o sal!

Sou benquisto em Coelho Neto
Do avô que lincha todo mundo.
O difícil é ser num universo
Onde se escalpela até couro desnudo.

Cadê o Zé?! São 09:05!
Não pensa muito não, amigo! Corre!
Isso tudo é uma grande presepada.
Moebius pensando que é sapiente.

Para terminar.
Parem de apertar.
Passa a língua nesse selo
Pra dialogar.
Quando o Dias tentar
A ti explicar.

sábado, 23 de junho de 2012

Nossa Geração

(J. Carlos)



Como o tempo passa
E deixa a gente pra trás.
Como gira o mundo
E a gente não cai.
Como as chances passam
E a gente só vê
Quando já é tarde demais.

O que eu posso fazer pra matar a dor?
Quem eu preciso comprar
Pra me fazer companhia?
Mas eu não tenho dinheiro,
Também não tenho alegria.
E quem vai me ajudar a quebrar o gelo
E a monotonia?

E quem matou a gente?
Quem nos fez sofrer?
O que ganhou com tudo isso,
Além de nos perder?

Quando quebrei a perna
Não pude mais andar.
E se destroem nossos sonhos
Nós não vamos mais sonhar.

Como o tempo passa
E deixa a vida pra trás.
Como gira o mundo
Às vezes a gente cai.
Como as chances passam
E não voltam nunca mais.

Como é triste vermos
Que poderíamos tentar mudar
Mas não fazemos nada
E tudo continua como está.

Como é triste vermos nossa geração
Que é comodista e
Perdeu  a direção.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Açaí do Moebius

(A. Lessa)






Hoje no céu de veludo vejo
Estrelas de algodão.
Distanciam-se na noite.
Hoje não tô bom!
Meu corpo moeu...
Só de pensar...
Pará!
Trem indo pro subúrbio
E pela hora envolto em brasas...
Olha!
Noiva de véu cor-de-rosa
Com alfinetes e vodu...
Ouça!
Nêgo caiu! Descarrilhou!
Deve ser tiro de fuzil...
Mas não tem nada não...
O açaí do Seu Moebius
Continua muito bom...

terça-feira, 19 de junho de 2012

Escola

(J. C. Peu)



Na volta da escola
Tudo o que aprendi
Ficou por lá.
Só trouxe lápis e borracha.
Na vida tudo que se precisa
É escrever e apagar.
Escrevendo com uma mão
E apagando com a outra.
Marchando devagar rumo ao nada.
Como um condenado para a forca.
Eles nos ensinam uma coisa,
Vem a vida e cobra outra.
Quem nunca teve uma professora
Gorda, velha, chata,
Ou qualquer outra,
Que não ensinou nada o ano inteiro
E que ferrou todo mundo no fim do ano?

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Casado 26 - s/filho (a)

(A. Lessa)



Meu bebê tá na hora
De você acordar.
Pelo relógio agora
Já é madrugada.

Todos estão dormindo
Peço pra não gritar.
Aí vai a chupeta
Pra nenê não chorar.

O papai gosta assim
De nenê bem quietinho.
Daqui a pouco eu trago
Um leite bem quentinho.

A pepeta cansou
A boquinha do neném?
Ou será que é febre?
O termômetro já vem.

O bebê está pelando
Mas papai dá amor.
De fraldinha limpinha
Mamadeira chegou.

Mama, mama o leitinho.
Tem que beber todinho.
Se golfar é normal
Eu não sou lobo mau.

sábado, 9 de junho de 2012

Conto Fantástico: O Homem Que Não Existia

(J C Peu)

Ao despertar de um sonho perturbador, Ele percebeu-se deitado em sua cama.
Embora ao ir dormir estivesse completo, sentia que algo lhe faltava de forma
irremediável. Não sabia ainda, mas estava sumindo.
“Mas, como é possível que uma pessoa comece a sumir assim?” – Pensou ele,
fazendo esforço para que as imagens do sonho não sumissem tão rápido. Ele
sonhara, de forma premonitória, com um homem que, numa bela manhã de verão,
sumira.
Era uma bela manhã de verão, destas que o calor e a luz do sol a adentrarem
no quarto tornam impossível que continuemos na cama. Ele é um Homem de Vinte
e Poucos Anos, que mesmo muito cansado do dia de trabalho, não conseguiu
dormir bem durante a noite. Dormia e acordava a todo instante. Havia viajado
e viagens acabavam por roubar-lhe o sono, mas, mesmo assim sonhou. Ao abrir
os olhos viu o teto de seu quarto, deixou seus olhos percorrerem apressados
o cômodo. Viu o guarda-roupas de mogno num canto, uma estante cheia de
livros em outro e viu a luz e a claridade do dia. Suas pupilas se dilataram
e um choque elétrico percorreu cada centímetro de seu corpo. Esquecera-se de
por o relógio para despertar e perdera a hora exata de levantar-se visando
escapar dos engarrafamentos. “Estou atrasado! Estou atrasado!”
       Jogou com violência o lençol que o cobria para o lado e pulou da
cama como se estivesse disputando uma prova importante numa olimpíada. Por
algum motivo inexplicável haviam cavado um buraco ao lado de sua cama e, por
não ter sido avisado, caiu. Tentou levantar-se, apoiando-se com um dos
braços na beirada da cama, mas caiu novamente. Ao olhar ao redor percebeu
que tudo estava como sempre fora em seu quarto. Não havia buraco, como
pensou anteriormente. A única coisa diferente era uma incomoda sensação de
que algo lhe faltava, apesar de não conseguir distinguir ainda o que era.
Apoiou ambas as mãos na cama e repetiu o esforço anterior para levantar-se,
mas sua tentativa foi totalmente inútil. Caiu.
       O Homem de Vinte e Poucos Anos deu um grito rouco de espanto e
desespero, posto que sua voz ainda estava afetada pelo sono,  um grito
curto, mas alto o bastante para assustar a todos os que se encontravam em
casa naquele momento. O homem, desesperado, conteve os nervos e não mais
gritou. Na verdade, mesmo que ele quisesse, não conseguiria falar ou pensar
em nada além do fato de que ao olhar para suas pernas notou que uma delas
havia sumido. Achou-se no chão de seu quarto sem uma das pernas, estupefato
por isso ter acontecido como que num sonho.
       - Como isso foi acontecer comigo? O que vou fazer?
       Não sonhava, embora a sensação de falta que teimava em continuar por
perto podia sugerir a atmosfera densa de um sonho, os raios de sol negavam o
toque onírico. Olhava atentamente ao redor e parou o olhar nos títulos dos
volumes na estante. Havia livros sobre marketing, comunicação, vendas, mas
havia também Borges, Kafka, Drummond, Poe e Fernando Pessoa. Ele conseguia
ler os títulos, de onde estava caído, e se lembrar de partes inteiras de
contos e poesias. “O fator estético não pode prescindir de um certo elemento
de assombro”, lembrou desta frase de “Pierre Menard, o autor do Quixote”.
Com medo da realidade, não conseguiu conter algumas lágrimas. Olhou pela
janela e o dia continuava a sorrir parecendo não importar-se com as
tragédias cotidianas. O calor poderia infundir-lhe uma grande alegria, mas
não.
Jamais poderia acreditar se lhe contassem que coisas ruins podiam acontecer
num dia assim tão belo. Mas, o fato era que aconteciam.
       Tentou Secar com as mãos as lágrimas que escorriam pelo rosto
pensando em voltar para cama e dormir para sempre, talvez isso poderia fazer
o tempo voltar, corrigindo todas as falhas do mundo. Mas, já não tinha o
braço direito. Era tanta coisa acontecendo que não havia percebido que seu
braço tinha começado a sumir no mesmo instante em que começara a perceber a
falta da perna. Pensou em como explicaria esta falta no trabalho. Logo seu
celular não iria parar de tocar atrás de detalhes. Iriam parabenizá-lo pelo
bom trabalho desenvolvido no dia anterior. Mas, como explicaria a ausência
de perna e braço?
       “Meu Deus!”, pensou enquanto controlava o choro. “Eu viajo e trago
lucros para a empresa, e tudo o que vou ganhar é outra viagem em busca de
lucros maiores. Irão mandar-me brindes, algum bônus no fim do mês, mas
certamente abrirão outra filial no fim do ano e logo nos pressionarão por
novos resultados. Me sinto como numa roda gigante onde o ápice é convertido
em um abismo de um dia para o outro. Será que esta não é a hora exata de
parar? Nunca se sabe. Se bem que não é de hoje que venho percebendo que este
clima constante de competição e beligerância não é o ideal para seres
humanos que estejam desejosos de cultivar boas qualidades.”
       “Sei que preciso sair, não posso ficar aqui para sempre. Mas, não
podem me ver assim!” – O Homem de Vinte e Poucos Anos começava a
desesperar-se com a ideia de sair do quarto e encarar a vida. “Como vou
conseguir dirigir com uma única perna e um único braço num veículo que ainda
não foi adaptado? Uma única perna dividida na administração de três pedais
diferentes, uma dízima periódica... E, o trânsito caótico, os moto-boys, as
pessoas falando ao celular enquanto dirigem... acho que não serei capaz de
ir dirigindo com um braço só, vou chamar um táxi. Antes mesmo de aprender a
andar de muletas, decidira que iria mandar o carro para a oficina mecânica.
Precisava de um carro adaptado para o uso de pessoas com deficiência.
       Ficou em pé com dificuldade e girou a chave, destravando o mecanismo
da tranca e saiu para o corredor. Naquele momento não havia ninguém ali.
Percebia que a sua tragédia não chegou a modificar muito o mundo ao seu
redor. Lá fora ainda brilhava o sol, e o céu estava mais limpo do que nunca.
Não havia nuvens...
       Andou pela casa pulando numa perna só, tentando equilibrar-se. Ao
entrar na cozinha, viu sem ser visto num primeiro momento, seu pai e sua mãe
sentados á mesa já tomando café. Estavam, ele a entreter-se na leitura do
jornal e ela a passar geleia de morango num pedaço de torrada, tentando
demonstrar certo grau de distração. Ao lado deles, notou que seu lugar
estava preparado a esperar a sua chegada. Mais ao fundo, Cida, a empregada,
gastava água abundantemente na pia. Ela nunca acreditou que dava para salvar
o mundo lavando louças com pouca água. Achava que as indústrias eram as
maiores poluidoras, e que poluíam apenas para terem mais lucros. Ele
conseguiu ver muitos detalhes num breve olhar e sentiu ainda mais do que
viu. Sentiu o cheiro gostoso do café fresquinho que inundava todo o
ambiente, ouviu bem baixinho o som de uma música de FM que Cida ouvia em seu
radinho que sempre era colocado sobre a pia, percebeu que este não era um
dia bom para sumir, era bonito demais, e tudo era perfeito demais para
terminar em tragédia. Foi visto pelos olhos grandes e curiosos de sua mãe.
       - Filho! Graças a Deus! Estávamos muito preocupados! - Disse ela
abandonando a mesa e pondo-se em sua direção, no que foi seguida por seu
marido e pela empregada, ambos excitados em vê-lo.
       Porém, ao olhar mais atentamente o filho, percebeu algo estranho.
Não era um momento propício a brincadeiras, mas, parecia que ele estava
decidido a brincar com os nervos de seus velhos pais. Entretanto, mal sabia
dona Márcia que não era fingimento de seu filho e que ele estava tão
atordoado quanto ela própria.
       - Santo Deus! Filho, o que aconteceu?!!! - Abraçou-o e tateou seu
corpo para ver se estava inteiro. Não estava, pois faltava-lhe uma perna e
um braço. Após a confirmação de que não era brincadeira de seu filho, a
mulher desesperou-se elevando automaticamente a voz.
       - Oh! Meu Deus! Você sofreu algum acidente enquanto esteve fora? Foi
atropelado? Me diz o que houve! - Sua mãe estava aflita e, em sua aflição,
permitiu que lágrimas banhassem o seu rosto sem parcimoniosidade.
       Seu pai, também desesperado, apesar de não falar nada e não chorar
sentia um grande pesar, uma grande perplexidade. Como isso foi acontecer com
seu filho, um garoto tão bom? Mas, realista como era, sabia que já não
podiam fazer nada para trazer de volta os membros que haviam desaparecido.
Propôs algo que era apenas um paliativo, mas, tendo em vista o absurdo da
situação, parecia ser o mais sensato a fazer. Mandou que se preparassem com
urgência para sair, pois chamaria um táxi para levar seu filho ao médico. O
que um médico poderia fazer para trazer de volta a perna e o braço ausente
de seu filho ele não tinha a mínima ideia, mas ficar parado ouvindo choros e
lamentações de sua mulher não parecia ser algo inteligente.
       Esta notícia, por mais que sinalizasse alguma esperança, não
produziu o efeito de acalmar dona Márcia que, com seu choro convulsivo,
produzia um alarido igual ao que acompanha o recebimento da notícia da morte
de alguém muito amado. Ela sentia-se mal e, por precisar de alento, jogou-se
aos braços de seu filho, que por não estar esperando por isso,
desequilibrou-se e caiu novamente. Não estava acostumado ainda com a vida em
uma perna só. Depois de conseguir sentar-se no cão e encostar-se à parede,
ficou muito triste em ver o sofrimento daquela pobre mulher e a abraçou mui
ternamente. Enquanto abraçavam-se, sentiu as lágrimas dela molharem sua
camisa e tocarem seu peito. Queria passar para ela um pouco de conforto,
mesmo sem possuí-lo completamente. O pai, apesar de não ter entrado em
desespero semelhante ao da esposa, abraçou a ambos no intuito de supri-los
com toda a proteção que fosse capaz de prover. Todos entendiam o quanto este
gesto era simbólico. Elogiável no quesito consolo, mas, inútil no fator
segurança. Foi então que o outro braço que sobrara começou, também, a sumir,
afrouxando o abraço.
       Antes de poderem se arrumar para sair, o Homem de Vinte e Poucos
Anos começou a protestar contra o excesso de zelo de seus pais que foram
irredutíveis quanto a levá-lo ao médico. Ele dizia que sentia-se bem e que
não havia necessidade real de irem correndo ao médico. Poderiam ligar e
marcar uma consulta para a parte da tarde, “até porque, ligar para a empresa
é mais importante no momento, pois há um relatório a ser feito.” Apesar de
seus protestos, não acreditavam nele, pois sua perna remanescente e todo seu
tronco também sumira. Ficaram aterrados com aquela cabeça que um dia já foi
seu filho no chão de sua cozinha, como sendo o gato de Cheshire humano.
Sabiam que jamais falaria mesmo que estivesse quase morrendo de dor, então,
desconsideravam as alegações de que não havia dor naquela condição.  Porém,
esta era a verdade, ele não sentia mal-estar, náusea, dor ou indisposição
alguma. O que prevalecia era apenas a sensação de que faltava algo em si ou
ao seu redor, mas este sentimento era muito semelhante ao que sentimos
quando sabemos que esquecemos alguma coisa, só não sabemos exatamente o quê.
A empregada conseguiu se benzer antes desmaiar, e a mãe ficou parada num
canto sem conseguir olhar novamente na direção da cabeça de seu filho.
Apenas o pai viu o inacreditável. Apenas o pai viu a cabeça sumindo. Muitas
pessoas falaram em paranormalidade, em combustão espontânea, mas o fato é
que o garoto era apenas um  homem que não existia.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

COMO O PERFUME DAS FLORES QUE EVOPARAM NO AR


(Dhiogo Caetano)

O mundo é um eterno espectador...
Um palco de alegrias e dores.
Cenários, histórias, fantasias e realidades.
A dor do sofrimento
A busca constante pela alegria!
Por uma paz mundial.
Quanta dor física ou psíquica...
Por onde anda o amor?

Alegria é passageira,
Quanto às ondas do mar que vêm e vai.
Como o perfume das flores que evaporam no ar.
Até quando!
Precisamos de igualdade, fraternidade, solidariedade...

A vida do ser humano é um complexo do nada e do tudo...
Ilusões e verdades construídas...
Oh meu Deus!
O que será desta nação humana!

terça-feira, 5 de junho de 2012

William Wilson


(J. C. Peu)

Wilson sabia tudo a respeito da vida de todas as pessoas do mundo. Sabia que John Miller, dono de uma lanchonete em Amherst, Boston, Massachusetts, havia trocado todo mobiliário de sua loja. Sabia até mesmo quantos dólares Miller já havia quitado de sua hipoteca, e quanto ainda devia pagar para liquidar completamente a dívida. Era inútil Wilson, que mora no Rio de Janeiro, saber sobre isso. Não era da sua conta saber que o número de graduados em instituições de ensino de Portugal, que procuravam emprego aqui no Brasil por conta da grande crise econômica, não parava de aumentar. Sabia até quanto dinheiro tais graduados gastavam com passagens e acomodações.
William Wilson sabia que Rafael Monteiro, advogado brasileiro de 58 anos, pagou todas as despesas do enterro de seu pai, Heleno Monteiro. Wilson sabia que Heleno, de 116 anos, ficou internado na CTI do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo por dois meses antes de morrer com falência múltiplas nos órgãos. Wilson sabia que o hospital fez de tudo para conseguir que o corpo de Heleno aceitasse novos órgãos sintéticos apenas para arrancar mais dinheiro de sua família. Sabia que os acionistas ficavam tristes com a perda de paciente tão promissor para os negócios. Wilson sabia de banalidades como a marca de cada esparadrapo, ou de cada siringa que Heleno usou enquanto estava hospitalizado, e sabia até qual foi o último programa de televisão sintonizado na TV do quarto de Heleno.
Wilson sabia tudo a respeito da vida de todas as pessoas do mundo, mas, o que o incomodava era o fato de que todas as pessoas do mundo também sabiam tudo a seu respeito. As pessoas do mundo inteiro sabiam que William Wilson iria morrer em breve. Assim era o mundo. Todos sabiam da vida de todos.
Quando tomava um banho, a companhia de água media a quantidade de água utilizada e a duração do banho poucos segundos após isso. Quase simultaneamente a informação já estava ao alcance de todas as pessoas do mundo na rede. Era fácil, mesmo de um celular simples, acessar todas estas informações. Isso não era bom, na opinião de Wilson, já que justificava a ausência de seus filhos e de seus velhos amigos. Monitoravam sua vida e sua doença á distância, e quase nunca faziam uma visita real.
Wilson nunca se acostumou com isso, e não era agora, no fim da vida, que seria diferente. Entendia a explicação oficial de que isso era necessário, mas não acreditava muito no que os especialistas diziam. Era um homem do século 21, e não do novo século. Todos os governos do ocidente concordaram que a privacidade era algo destrutivo para a sociedade. Logo, não mais havia crimes, ou revoluções, pois não dava para se programar para atos ilícitos sem privacidade. Mesmo com um acontecimento aqui e outro ali, que podia ser creditado a imprevisibilidade do ser humano, podia-se dizer que a humanidade havia chegado, finalmente, à paz.
Wilson, com suas ideias de velho, sabia que esta paz era principalmente mercadológica. Eram as empresas as maiores beneficiadas pelo fim da privacidade. Sentia-se preso às necessidades do mercado. Mesmo antes de sentir falta de qualquer coisa em sua casa, como uma caixa de leite, ou uma simples aspirina composta, o mercado já sabia disso e se preparava para suprir essa necessidade. Havia incontáveis batalhões de operadores de telemarketing oferecendo holograficamente tudo a todos.
O mercado sabia que Wilson recebia R$ 8.770,00 e planejava todo tipo de marketing e propaganda para levar o máximo possível deste montante. Cada empresa preparava anúncios individualizados para cada pessoa, e isso irritava Wilson. “Bom dia! Seu leite está acabando!” – Dizia uma moça sorridente no holograma projetado de sua geladeira. “Confira todos os preços da marca que você prefere, e veja onde comprar com maior economia!” – Para Wilson as propagandas oferecendo remédios eram ainda piores. Aumentavam sua vontade de morrer.
As propagandas de remédios começaram quando Wilson ficou muito gripado com uma variação do vírus H1Z3. O mercado chegou a oferecer mais 5, 10 e até 20 anos de vida, por preços que poderiam ser parcelados igualmente por 5, 10 ou 20 anos. Mais que isso não ofereceram, pois sabiam que Wilson não teria condição de pagar nem mesmo com muita ajuda da família.
Não preciso dizer que Wilson achou isso o cúmulo. Calcularam a probabilidade dos antibióticos não obterem o efeito esperado e fizeram a oferta infame de prolongar a vida, mesmo que continuassem oferecendo placebos. “Um pulmão novo era o mesmo que 10 anos de vida!” – Disseram. Dezenas de amigos e parentes ligaram para oferecer condolências, ajuda financeira e apoio emocional, mas tudo o que Wilson queria saber era por qual motivo não havia como salvá-lo com remédios normais, mas havia como proporcionar alguns anos a mais de vida. Se qualquer outro procedimento não alcançaria resultados, não fazia nenhum sentido continuar oferecendo remédios inúteis como estavam fazendo.
Wilson assistia a propaganda na televisão com repugnância. Ela explicava em trinta segundos todas as bases científicas dos procedimentos de troca de órgãos, mas Wilson concluíra no fundo de seu coração, o único lugar onde ainda lhe restara um pouco de privacidade, que tudo o que queriam era dinheiro. Trocavam tudo o que conseguiam trocar, quantas vezes fosse possível, e só desistiam quando os pacientes fossem apenas um ajuntamento amorfo de matéria orgânica sobre a cama.
Wilson pesquisou na rede e descobriu mais de 750 milhões de casos exatamente iguais ao seu. Eram 750 milhões de Willians Wilsons em todo o mundo. Mais da metade destas pessoas compravam anos á mais de vida, mesmo sem terem dinheiro para pagar por este luxo. O restante morria, ou se candidatava como cobaia de experimentos científicos que procuravam antibióticos, ou novos órgãos. “Mas, no fim, todos morrem.” – Concluiu Wilson.
William Wilson não quis aceitar dinheiro dos familiares e não quis se endividar. Quando parou de tomar os placebos, o mercado começou a oferecê-lo planos funerários. Havia planos de todos os preços, e Wilson ficou feliz. “Pelo menos é algo que eu vou usar por muito mais tempo.” – Wilson escolheu um plano que podia pagar, mesmo com os protestos dos familiares, que queriam que ele aceitasse o tratamento oferecido, e pagou feliz. Finalmente, era a última propaganda que ouvira. Desligou todos os aparelhos eletrônicos de sua casa, ficando completamente incomunicável, e esperou a morte chegar.
William Wilson Morreu aos 92 anos, velho e saciado em dias.

Dialética

(J. C. Peu)

Alienação é marxista
Gorki é marxista
Mais-valia é marxista
A dialética é e não é...

Durkhein é conservador
O capitalismo é conservador
Freyre é conservador
O estado é conservador
A dialética é, às vezes...

Status quo é elitista
Proust é elitista
Meritocracia é elitista
Crick é elitista
A dialética é mais ou menos...

Goular é popular
O MST é popular
Stevenson é popular
A cota é popular
A dialética
Mais ou menos
Às vezes
É e não é.

E-mail


(J.C. Peu e A.Lessa)


Recebi um e-mail
Que falava, eu creio,
sobre um novo socialismo.
Falava sobre educação.
Parecia uma coisa certa
Que a educação era o caminho 
Para alcançar a meta.

Um outro e-mail dizia
Ser importante eu dizer
Para as mulheres que eu conhecia
Sobre um certo perigo...

Outro e-mail falava sobre uma pirâmide, 
Um falava sobre injustiças, 
Vários falavam sobre pornografia.
Falavam sobre cinema, esportes.
Falavam sobre teatro e TV,
psicologia, ortóptica, causas indígenas,
Hermeneuticometria...

Palavra!
E, em meio a essa 
correnteza de banalidades,
Reencaminho um e-mail
Corrente.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Intrínseca Causa

(Alexandre Lessa)



O que é a causa?
Se eu não tenho calças.
Cadê minha causa?
Foi com as minhas calças
Pra lavar...

Eu não posso abraçar
A tua esfera
Se ninguém quer me alentar
Deitado na relva

Não quero ajudar
Nem atrapalhar
Quero um par de calças
O frio é de danar!
Depois uma causa
Para o meu bem-estar.

terça-feira, 29 de maio de 2012

SAMAMBAIA VERDE SAMAMBAIA


(Dhiogo Caetano)


Em suas longas folhas, uma longa história pra contar.
Uma planta, uma herança da minha avó.
Há mais de cinquenta anos, a sua beleza verde encanta a nossa casa.
Trazendo esperança no desenrolar de suas folhas.
De forma plena ela encanta...
Nela a lembrança de um passado ainda presente.
Ontem a minha amada avó cultivava a linda samambaia.
Hoje sou o guardião da verde samambaia.
Simplesmente uma planta, mas um elemento da família...
Em suas folhas rabo de peixe se eterniza a vida...
A memória tornasse sempre presente.
O passado é constantemente revivido no desenrolar de suas longas folhas.
Mas no contexto não podemos esquecer que estamos falando de uma simples samambaia.
Uma planta que traz o verde como elemento principal da sua consagração.
Nossa samambaia!
Lembrança, passado, vida, presente, memória e uma linda história.
Nossa história eternizada naquelas longas folhas verdes.
Samambaia verdemente samambaia...

terça-feira, 22 de maio de 2012

Âmbar

(J. C. Peu)



Não sou branco
Sou franco,
O negro é pranto,
E o pranto ecoa pelo tempo
Lúgubre, lúgubre.

Sou Negro
E não um fóssil.
Eu sei me adaptar,
Meu habitat é qualquer lugar.
Respiro ares distantes,
Âmbar, âmbar.

Sou negro,
Sou homem,
Mas, se fosse branco,
Seria homem assim como sempre fui.
Isto está juramentado
E ajuramentado,
Aresto, aresto.

Sou homem
Como todos os outros.
Não digam o contrário,
Nem criem barreiras.
Uma criança nasce chorando e gritando:
"Acesso, acesso!"

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Herói Anacrônico

(A. Lessa)



Deixei de acreditar na vida,
Porque sou herói.
No meu corpo só há feridas
Por que não sou playboy?
Só quero viver!
Só quero poder crer!
Acho que tenho problema de vista...

Deixei de acreditar em Marx,
Porque sou herói.
O trabalho não reflete, e tome fax...
Eu queria ler Tolstoi
Só quero trabalhar!
Só quero poder entrar!
Acho que é a roupa que não combina...

Apesar de toda seca
Não deixei de acreditar.

Seu doutor me dê uma pista
Sou herói, não sou farrista
Dê carícias e eu lhe dou a
Represa...

Num planeta bem-dotado
Continuo mal pago
Esperando um alvo entrar
Em cena...

terça-feira, 8 de maio de 2012

Multicor

(J. C. Peu)

Negra noite
Branco dia
Negra melancolia.

Negro ódio
Amarelo alegria
Vermelho paixão
Rosa amor
Lindo dia.

A guerra é negra
É branca a paz
A cidade é cinza
O campo verde A flor lilás.

A inferioridade é negra
A igualdade é branca
O luto é negro
A dor vermelha
A morte é negra
A maternidade, rosa ou azul.

As verduras são verdes
Os legumes amarelos, laranjas e azuis
Mas a fome é negra
A fartura multicor.

A igualdade é branca
O negro é desigual
Negra noite
Branco dia
Qual a cor da harmonia?

O futebol é verde e amarelo
Mas, e se fosse lilás?
Qual seria a cor da paz?


sexta-feira, 27 de abril de 2012

Dhiogo Caetano o Novo Membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico do Grande ABC


Dhiogo Caetano o Novo Membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico do Grande ABC

 

O Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico do Grande ABC, entidade que como um todo abrange o Brasil e, particularmente as cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Preto e Rio Grande da Serra (SP), por decisão de sua diretoria, em consonância com seus estatutos e regimento interno, através de seu presidente infra assinado, te a honra de receber em seus quadros a pessoa de Dhiogo José Caetano na categoria de membro com todos os direitos, honras e deveres pertinentes.
Dado e passado aos 24 dias do mês de março do ano da graça de N.S.S. Jesus Cristo de 2012.
“Observando-se a história do que hoje se chama a região do Grande ABC, formada pelas cidades de Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, no Estado de São Paulo, bem como sua importância para a nação, um grupo de intelectuais amantes da História, da Heráldica, Genealogia resolveram fundar o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico do Grande ABC. Da mesma forma, ABC representa o abecedário total, assim, o Instituto como é carinhosamente chamado, abrange a região do Grande ABC, mas também toda a nação brasileira.
O Instituto está sob a proteção da Casa Real dos Arameus e Auranitas, bem como da Arquidioceseda América Latina da Igreja Luterana de S.Pedro e S. Paulo.O Presidente é o Príncipe D. Ydenir P. Machado e, o Vice-Presidente é o Duque Iberê L. Di Tízio.
Qualquer pessoa que tem um interesse real em História, em Heráldica e em Genealogia, independente de cor, sexo, religião pode pleitear ser membro do Instituto.
Dia 24 de março de 2012, ocorreu o primeiro evento oficial do Instituto em conjunto com a Confederação Brasileira de Letras e Artes- CONBLA, na cidade de São Bernardo do Campo-SP com a presença de artistas e intelectuais de várias partes do Brasil.”
Fico honrado em fazer parte deste espaço que restaura e faz história no Brasil e no mundo.




Dhiogo Caetano
Uruana, Go 

domingo, 19 de fevereiro de 2012

DHIOGO JOSÉ CAETANO É ENTREVISTADO POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS DHIOGO JOSÉ CAETANO É ENTREVISTADO POR VALDECK ALMEIDA DE JESUS



Dhiogo José Caetano é natural de Uruana, interior de Goiás; filho de Valdson Caetano Filho e Lucinete José Veloso. Graduado em História pela UEG - Universidade Estadual de Goiás. Tem inúmeros trabalhos e artigos publicados na Web Artigo, Recanto das Letras, Jornal o Povo, Jornal o Dia, Jornal Diário da Manhã, Canto dos Escritores, Overmundo, Cinema é Minha Praia, Poetas Livres, Portal Literal, Sociedades dos Poetas por Vir, Novos Horizontes. Publica poesias nos portais: Revista Factus, Revista Literária e Partes. Tem textos publicados nos livros: Nova Coletânea, Rocco, Abralie, Publicações Iara, Encantos do Brasil II da Mandio Editora, Poesia Encantada III e IV, Novos Poetas 2011 e 2012 da Editora Videira, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus 2010 e 2011, Editora Celeiro, Tecido Verbal, Editora Literacidade, Poesia Encanta, Canapé, Litteris, Palavras Sem Fronteiras. É colunista dos blogs: Poetas Brasileiros, Mar de poemas, Sociedade dos Poetas Mortos, Debates Culturais, Tabletes culturais e outros. Ganhador do prêmio Artista Revelação 2011 pela Interarte juntamente com a Academia de Letras de Goiás e prêmio destaque cultura pela Interarte 2012. Seus trabalhos são divulgados no site
www.recantodasletras.com.br/autor.php?id=68116

VALDECK: Quando e onde nasceu?
DHIOGO: Nasci em Uruana, interior de Goiás. Na manhã do dia 24 de novembro do ano de 1988, momento de muita alegria para a minha amada família.

VALDECK: Já conhece o restante do Brasil? E outros países?
DHIOGO: Sim, já conheci alguns estados brasileiros, mas o meu sonho é percorrer todo o Brasil e o mundo, levando uma literatura clara e democrática.

VALDECK: Como você começou a escrever? Por quê? Quando foi?
DHIOGO: Desde muito cedo me preocupo com a realidade social, humanitária e educacional do mundo. Diante dos fatos não consigo permanecer calado, busco levar a mensagem dos bestializados, daqueles esquecidos por uma sociedade “injusta e profundamente corrupta”. Portanto iniciei a minha jornada no mundo das letras aos 10 anos de idade, quando ganhei o meu primeiro prêmio na categoria redação juvenil, com o tema “Segurança e cidadania no trânsito”, concurso organizado pelo DENATRAN em setembro de 2002.

VALDECK: Você escreve ficção ou sobre a realidade? Suas obras são mais poesias ou prosa? O que mais você gosta de escrever? Quais os temas?
DHIOGO: Gosto de escrever textos ficcionais que descrevem a realidade e vice-versa. Busco fazer uma miscelânea de temáticas do cotidiano, adoro escrever com alma e expressar a verdade vivenciando no meu dia a dia. Acredito que o escritor é o “senhor do tempo”, ele tem o poder de eternizar fatos, momentos, amor e salvar vidas através da sua arte de transcrever o mundo a partir de versos, prosa, crônicas e belos poemas. Em suma, escrevo em nome da nação humana, pois os dias passaram, a vida passará e nós todos morreremos, mas não podemos deixar que os “devoradores de colarinho branco” façam a raça humana perder a cidadania, a moral social chegando ao fim, onde se espera a morte ou um milagre.

 
VALDECK: Qual o compromisso que você tem com o leitor, ou você não pensa em quem vai ler seus textos quando está escrevendo?
DHIOGO: Quando vou escrever sempre penso nos meus leitores, procuro pensar como eles pensariam; tentando sempre me aproximar dos meus leitores, pois são eles que alimentam a minha arte de escrever. Como diria a nossa gloriosa escritora e poetiza goiana Cora Coralina: “Feliz aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”.

VALDECK: O que mais gosta de escrever?

DHIOGO: Tenho prazer em escrever sobre o mundo, as pessoas e os momentos que as formulam seres humanos bons e ruins. Gosto de eternizar os momentos, sonhos, vidas, amores, sentimentos, memórias, fatos, pessoas etc.

VALDECK: Como nascem seus textos? De onde vem a inspiração? E você escreve em qualquer hora, em qualquer lugar ou tem um ritual, um ambiente?
DHIOGO: Os meus textos nascem de forma simples, o momento e as pessoas me inspiram e a qualquer momento coloco em prática a minha arte de escrever e descrever a realidade e mundo que me circunda. 

VALDECK: Qual a obra predileta de sua autoria? Você lembra um trecho?
DHIOGO: Gosto muito do meu poema: Flores do meu jardim, jardim das minhas flores. 

...Quantas flores!
No meu jardim, encontro a complexidade do tudo!
É surreal, lindo, natural e simplesmente divino.
Flores do meu jardim, jardim das minhas flores...

VALDECK: Seus textos são escritos com facilidade ou você demora muito produzindo, reescrevendo?
DHIOGO: É interessante a minha forma de escrever, de forma súbita me surge uma nova ideia e rapidamente coloco tudo no papel e, depois, quando vou digitar os mesmos, fico encantado com as palavras escritas nos intervalos do trabalho e na correria do dia a dia. Posso dizer que eu tenho muita facilidade em transcrever as minhas ideias. 

VALDECK: Qual foi a obra que demorou mais tempo a escrever? Por quê?
DHIOGO: O meu livro “O medo da morte na Idade Média: Uma visão coletiva do Ocidente”. A demora na construção textual do mesmo se deu devido à própria exigência de um trabalho científico. Para estruturar o mesmo tive que pesquisar e analisar fontes. Na posição de historiador, busquei trabalhar com o critério de veracidade dos fatos, promovendo um confronto entre as fontes analisadas, chegando ao longo de quatro anos em uma problemática coerente e esclarecedora referente ao tema proposto.


VALDECK: Concluiu a faculdade? Pretende seguir carreira na literatura?
DHIOGO: Sou graduado em licenciatura plena em história pela Universidade Estadual de Goiás e pós-graduado em memória, literatura e imaginário histórico, mas pretendo viver da literatura e da arte de poematizar o mundo.


VALDECK: Qual o escritor ou artista que mais admira e que tenha servido como fonte de inspiração ou motivação para seu trabalho?
DHIOGO: Não posso citar um escritor, pois se sou o que sou hoje é porque me inspirei em grandes e importantes artistas das letras como: Shakespeare, Affonso Romano de Santa’Ana, Paulo Coelho, Augusto Cury, Bruno Resende, Naha Naga, Chico Xavier, Vinicius de Morais, Cora Coralina, Abílio Pacheco, Claúdia Schiavone, Izabelle Valladares e no ilustríssimo Valdeck Almeida de Jesus, que faz a diferença na literatura contemporânea.  

VALDECK: O que você acha imprescindível para um autor escrever bem?
DHIOGO: O autor precisa de forma clara colocar as suas referências, crenças, valores, gostos, sonhos, algo que nasce dentro do ser escritor que busca suas informações no outro e no mundo a sua volta. Um trabalho que sai da individualidade do ser, invadindo a coletiva a sua volta. Mas não podemos esquecer que para o autor escrever bem, ele precisa ler, ler e ler buscando, cada dia mais, aperfeiçoar a arte de escrever.


VALDECK: Você usa o nome verdadeiro nos textos, não gostaria de usar um pseudônimo?
DHIOGO: Gosto de usar os dois, em alguns casos uso o meu pseudônimo (muso lírico), mas gosto de assinar os meus trabalhos com o meu nome verdadeiro.

VALDECK: Como foi a tua infância?
DHIOGO: Minha infância foi marcada por muitas dificuldades de caráter financeiro, social, psicológico. Muitos destes problemas servirão de inspiração para diversos trabalhos os quais descrevo a dor, o medo e sonhos. Mas mesmo com inúmeros problemas esta época foi um dos melhores períodos da minha história. 

VALDECK: Você é jovem, gasta mais tempo com diversão ou reserva um tempo para o trabalho artístico?
DHIOGO: Sou um jovem “velho”, gosto de ficar no aconchego da minha casa, cultivar os momentos em família, ler bons livros e reservar grande parte do meu tempo para o aperfeiçoamento do meu trabalho artístico.

VALDECK: Tem um texto que te deu muito prazer ao ver publicado? Quando foi e onde?
DHIOGO: “O Menino do Futuro” é um dos meus primeiros trabalhos, um trabalho que eu coloquei todas as minhas fichas como aposta. E quando o mesmo foi selecionado para o projeto da Nova Coletânea em 2010 (Livre pensar literário, organizado por Bruno Resende), senti que era na literatura o meu lugar, foi um dos dias mais feliz da minha existência.

VALDECK: Você tem outra atividade, além de escritor?
DHIOGO: Sim sou professor, historiador, conselheiro da comunidade e secretário a sete anos de um laboratório de análise clínica e patológica.

VALDECK: Você se preocupa em passar alguma mensagem através dos textos que cria? Qual?

DHIOGO: Utilizo de inúmeras formas para expressar os momentos, a vida, a eternidade. Penso como eles e elas, e transcrevo sonhos, medos, vidas... Mas também analiso a repercussão dos fatos em um futuro distante. E afirmo que nós escritores somos os senhores das letras, as letras de inúmeros senhores são eternizadas em riscos, traços e rabiscos de um presente coletivamente vivido em uma particularidade social, política e geográfica. Mas neste mosaico de ideias, nos interligamos em uma única corrente literária. Trabalho todos os dias, buscando aperfeiçoar a arte de levar os sentimentos através das palavras. Busco conscientizar as pessoas sobre o poder da arte para transformar tudo... Vamos nos unir, esquecer dos dogmas, das linhas teóricas, difundindo a arte do bem viver e a prática de cultivar o nosso planeta. O nosso trabalho é árduo, mas é possível! É hora de pensar, refletir, lembrar... Lembrar das crianças que são violentadas, das nossas florestas quase extintas, dos jovens que não chegam à fase adulta por causa das drogas, da corrupção que devora as inúmeras nações do planeta, do abuso de poder e tantas outras problemáticas encontradas no mundo contemporâneo. Em versos, narro a esperança de uma humanidade que clama por paz. Reflita sobre o legado que recebemos, do uso que dele fazemos e o que faremos no futuro. Pensamos hoje: um mundo justo para todos! Um lugar de paz, igualdade, fraternidade e liberdade.

VALDECK: Qual sua Religião?
DHIOGO: Não tenho uma religião, mas sou um espiritualista, busco praticar o bem, reforçando a minha fé em Deus o criador de todas as coisas.

VALDECK: Quais seus planos como escritor?

DHIOGO: É uma grande felicitação fazer parte da história da literatura, não pretendo cultivar o ego e sim a arte de expressar em palavras a simplicidade, o verso e o poema que de mim e de todos nós afloram a cada segundo de nossa existência. O meu objetivo é continuar a caminhada em direção do ensinar e aprender, corroborando para a publicação de diversos textos, livros, artigos e poemas; construindo uma caminhada clarividentemente poética. Acostumado estou em não ter reconhecimento na minha terra. Fico triste quando percebo que o meu trabalho só tem crescido em outros estados e até em outros países e nos meios de comunicação da minha cidade não se vê sequer um comentário do mesmo, mas espero que um dia os mesmos valorizem não a mim e sim a literatura. 

(*) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e editor, jornalista formado pela Faculdade da Cidade do Salvador. Autor do livro “Memorial do Inferno: A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, já traduzido para o inglês. Seus trabalhos são divulgados no sitewww.galinhapulando.com
Valdeck Almeida de Jesus