domingo, 28 de maio de 2017

Corra!!!

Corra!!!



Em primeiro lugar eu gostaria de saber o que classifica um filme como sendo de terror. Falo isso pois em momento algum eu me vi assistindo a um filme de terror. Acredito que o filme em questão, corra, é um suspense.

Na minha cabeça as coisas funcionam mais ou menos assim: se uma narrativa é assustadora e decide mostrar o motivo do medo, ou do que se deve ter medo, esse filme é de terror. Porém, se ao invés de mostrar o filme faça a opção de insinuar, então ele é suspense.

Eu sei que as coisas nem sempre são tão fáceis assim. Mas, tem funcionado para mim. Dentro desse esquema, Corra  é um filme de suspense.

É preciso dizer que é um dos melhores filmes de suspense dos últimos anos. Acredito que qualquer pessoa, independente da cor da sua pele vai conseguir ter empatia com o personagem principal do filme, entretanto, se você for negro esse filme vai ganhar significado muito mais profundo.

As situações de preconceito pelo qual o personagem passa é semelhante a diversas situações que qualquer negro passa na sua rotina diária.

Eu me lembro de várias situações onde fui vítima de racismo. Uma vez eu estava trabalhando em um prédio na reforma de um apartamento no bairro do Largo do Machado, no Rio de Janeiro. O acesso dos funcionários da obra devia ser sempre pelo elevador de serviço. Eu descia o elevador no final da tarde para ir pegar um ônibus até a Central do Brasil e de lá pegar um trem para minha casa.

O elevador parou em um andar antes do terreo e quando a porta abriu uma senhora idosa e branca como papel ofício  iria entrar nele, e ela chegou a pôr um dos pés dentro do elevador, mas, quando me viu disse: "Nossa Senhora!"

Ela desistiu de entrar no elevador.

Uma outra vez fui na praia da Barra da Tijuca  com dois casais amigos, nossas esposa ficaram ficaram na areia e nós fomos caminhar pela orla. Nós três éramos negros.

Próximo a um quiosque onde várias pessoas brancas bebiam chope e água de coco, um idoso branco que caminhava pela orla estendeu o braço direito com a palma da mão aberta como se fosse um modelo daqueles sinais de pare.

"Dez metros de distância, por favor! "

Foi tudo o que ele disse num tom de voz firme e seco. Nós paramos olhando um para o outro tentando entender aquela situação, mas o velhinho repetiu:

"Dez metros de distância, por favor!"

Nós estávamos vestindo sunga de praia e short tactel por cima da sunga. Praticamente todos ali estavam de short ou apenas de sunga. A única diferença é que éramos negros.

Uma vez eu estava voltando do trabalho. Eu trabalhava na época no hospital psiquiátrico Nise da Silveira. Peguei o ônibus Méier X Nova Iguaçu e no meio da viagem havia uma blitz policial.

Preciso dizer que o ônibus estava cheio de gente, mas que o policial foi em cima do único negro de short e chinelo Havaianas? Sacudiu todo o conteúdo da minha mochila no chão do ônibus e depois mandou eu recolher o meu uniforme sujo e a minha marmita.

Tem uma outra vez...

Tem um outro dia...

Em fim, eu gostei do filme Corra, e me senti na pele do personagem. Acaba que essa história poderia se passar bem aqui no Rio de Janeiro.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

O Planeta dos Macacos

Acabei de ler nesse instante o livro O Planeta dos Macacos, de Pierre Boulle. O livro é espetacular! Particularmente gostei muito da história de Boulle. Ele fala sobre coisas densas, mas sem ser Hard, sem ser de forma difícil. Aborda o que é necessário saber, mas sem dar muitos detalhes que, no final das contas, fica meio forçado, meio chato.

Seu livro é sempre muito agradável. Ele não esquece de que estamos nos divertindo quando fazemos a opção de ler seu livro e, ao mesmo tempo, como toda boa ficção científica faz, nos dá o que pensar e faz uma grande crítica à sociedade por meio de uma sociedade de Macacos, e de cinismo.

Particularmente não achei que ia gostar do livro, posto que conheço por demais esta história. Desde os filmes antigos, cujo primeiro é um clássico do cinema, passando pelo de Tim Burton, até os recentes onde os macacos são liderados pelo César de Andy Serkis, a trama já está tão gravada no imaginário popular que não esperei ter uma experiência tão boa.

Super recomendo esse livro. Certamente um dos melhores livros que li este ano.

Aproveito para comentar brevemente sobre o livro O Caminho dos Condenados, de Roger Zelazny. Boa história de ação e aventura. Eu não consegui parar de ler (é clichê, mas é verdade). Não é tão profundo, com a passagem do tempo ficou datado, e a personagem principal parecia uma criança mimada, mas no geral é legalzinho. Também recomendo.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

O Poeta

Quem sabe porque o poeta escreve?
Escreve porque existe o belo,
E uma maneira ainda mais bela
De dizer que o belo existe.

Escreve porque existe o feio,
E uma maneira especial de dizer que o feio
Não é assim tão feio,
Nem assim tão triste,
E que se foram usadas palavras
Seletamente escolhidas,
O feio pode até se engolir.

Escreve por que existe o belo e o feio
Paradoxos, analogias e contradições.

Escreve pois tem sentimentos.
Porque não é uma máquina.
As pessoas não são máquinas.
Ele lembra-se disso o tempo todo
E, com seus escritos, tenta fazer
Com que os outros não se esqueçam.

O poeta escreve porque o belo e o feio
Existem apenas como representações
Das diferenças, todas simbólicas.

O poeta escreve por saber
Que não somos diferentes,
Por mais que todos queiram provar ao contrário.

O poeta escreve para tentar fazer
Com que os outros não se esqueçam
Que somos todos humanos.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Música

A música é o som.
A música não é o som.
Pois nem todo som é música.
Mas, toda música é som.

A música é mágica.
A música não é a mágica.
Pois nem toda mágica é musical.
Mas, toda música é mágica pura.

A música é a arte.
A música não é a arte.
Pois nem toda a arte é musical.
Mas, toda música é arte.
Assim como todo músico
É um artista em potencial.

A música é som, é mágica,
É arte, é sonho, é verdade,
É realidade, é filosofia, é religião.
É tudo e muito mais.
E, quando toca o coração,
É metamorfose que vai se
Metamorfoseando até transcender
A canção.

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Mais Grande

Numa caixa de fósforos
Bem que cabe um carro
E se ela não estiver meio torta
Dá para entrar e fazer dela uma oca
Outro dia vi um sorriso no rosto do sol.

Gente grande não entende nada
Parece que quanto mais grande, mais bobo.
Olha pra nossa cara e diz:
"Que bonitinho!"

Meu pai não enxerga um sorriso no sol
Nem na lua, nem lugar algum.
Ele nem sequer olha...
E ainda diz que sou a sua cara, eu não!

Gente grande não entende nada
Parece que quanto mais grande, mais bobo.
Olha pra nossa cara e diz:
"Que fofo!"