quinta-feira, 28 de junho de 2012

Ray Bradbury


No dia 06 deste mês morreu nos Estados Unidos, aos 91 anos, o escritor Ray Bradbury, um mestre da ficção científica. Este foi um acontecimento muito triste para todos os amantes da boa e velha ficção científica. Fiquei tão triste o dia inteiro que parecia que eu havia perdido um parente próximo. Depois eu cheguei a me envergonhar por isso, mas... Na verdade, ele era um dos últimos grandes mestres do gênero.  O tom poético das suas mais de 500 obras ajudou a tornar a ficção cientifica mais respeitada dentro da literatura.

A lenda, e também o prefácio do livro, diz que ele foi escrito por Ray Bradbury em um dos porões da universidade da Califórnia, e que ele pagava dez centavos para usar a máquina de escrever por meia hora. Nove dias depois terminou seu livro mais famoso.

Eu tenho a edição de bolso deste livro. Custou apenas R$ 19,90. Foi o dinheiro mais bem gasto da minha vida. No livro, é proibido ler livros, mas disso todo mundo já sabe, mas o que é mais difícil de saber é que não apenas a história em sí, mas a forma que ela é contada é espetacular. Assim que terminei sua leitura comprei outro livro de Bradbury, "As Crônicas Marcianas". Qualquer coisa que eu escreva sobre este livro sempre será uma grande injustiça. Tudo o que posso dizer é que este livro precisa ser lido.

Ainda não li mais nenhuma obra de Bradbury, mas vou procurar com a certeza de que será uma leitura maravilhosa. É 100% garantido!


"Fahrenheit 451" virou best seller e filme do cineasta francês François Truffaut. Semana passada assisti ao filme no Youtube. O endereço do vídeo é : http://www.youtube.com/watch?v=ZriW3CPU9G4
Procurei mas não achei ainda alguma coisa sobre crônicas marcianas no Youtube, caso encontre algum vídeo legal vou passar o endereço.




quarta-feira, 27 de junho de 2012

Selo Moebius de Qualidade


(A.Lessa)



Saia da garagem, Seu Moebius!
Saia desse canto de armação!
Já cansei de tanto hermetismo!
Cinismo, não!

Essa poesia tem seu selo.
Essa tinta parece carmim.
Uso para embelezamento.
Afeito, sim!

Sai fora! Se cria! Escarra!
Pode até chamar a Laura
Que eu tô legal.
Eu não tenho medo de palma
Me passa o sal!

Sou benquisto em Coelho Neto
Do avô que lincha todo mundo.
O difícil é ser num universo
Onde se escalpela até couro desnudo.

Cadê o Zé?! São 09:05!
Não pensa muito não, amigo! Corre!
Isso tudo é uma grande presepada.
Moebius pensando que é sapiente.

Para terminar.
Parem de apertar.
Passa a língua nesse selo
Pra dialogar.
Quando o Dias tentar
A ti explicar.

sábado, 23 de junho de 2012

Nossa Geração

(J. Carlos)



Como o tempo passa
E deixa a gente pra trás.
Como gira o mundo
E a gente não cai.
Como as chances passam
E a gente só vê
Quando já é tarde demais.

O que eu posso fazer pra matar a dor?
Quem eu preciso comprar
Pra me fazer companhia?
Mas eu não tenho dinheiro,
Também não tenho alegria.
E quem vai me ajudar a quebrar o gelo
E a monotonia?

E quem matou a gente?
Quem nos fez sofrer?
O que ganhou com tudo isso,
Além de nos perder?

Quando quebrei a perna
Não pude mais andar.
E se destroem nossos sonhos
Nós não vamos mais sonhar.

Como o tempo passa
E deixa a vida pra trás.
Como gira o mundo
Às vezes a gente cai.
Como as chances passam
E não voltam nunca mais.

Como é triste vermos
Que poderíamos tentar mudar
Mas não fazemos nada
E tudo continua como está.

Como é triste vermos nossa geração
Que é comodista e
Perdeu  a direção.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Açaí do Moebius

(A. Lessa)






Hoje no céu de veludo vejo
Estrelas de algodão.
Distanciam-se na noite.
Hoje não tô bom!
Meu corpo moeu...
Só de pensar...
Pará!
Trem indo pro subúrbio
E pela hora envolto em brasas...
Olha!
Noiva de véu cor-de-rosa
Com alfinetes e vodu...
Ouça!
Nêgo caiu! Descarrilhou!
Deve ser tiro de fuzil...
Mas não tem nada não...
O açaí do Seu Moebius
Continua muito bom...

terça-feira, 19 de junho de 2012

Escola

(J. C. Peu)



Na volta da escola
Tudo o que aprendi
Ficou por lá.
Só trouxe lápis e borracha.
Na vida tudo que se precisa
É escrever e apagar.
Escrevendo com uma mão
E apagando com a outra.
Marchando devagar rumo ao nada.
Como um condenado para a forca.
Eles nos ensinam uma coisa,
Vem a vida e cobra outra.
Quem nunca teve uma professora
Gorda, velha, chata,
Ou qualquer outra,
Que não ensinou nada o ano inteiro
E que ferrou todo mundo no fim do ano?

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Casado 26 - s/filho (a)

(A. Lessa)



Meu bebê tá na hora
De você acordar.
Pelo relógio agora
Já é madrugada.

Todos estão dormindo
Peço pra não gritar.
Aí vai a chupeta
Pra nenê não chorar.

O papai gosta assim
De nenê bem quietinho.
Daqui a pouco eu trago
Um leite bem quentinho.

A pepeta cansou
A boquinha do neném?
Ou será que é febre?
O termômetro já vem.

O bebê está pelando
Mas papai dá amor.
De fraldinha limpinha
Mamadeira chegou.

Mama, mama o leitinho.
Tem que beber todinho.
Se golfar é normal
Eu não sou lobo mau.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

COMO O PERFUME DAS FLORES QUE EVOPARAM NO AR


(Dhiogo Caetano)

O mundo é um eterno espectador...
Um palco de alegrias e dores.
Cenários, histórias, fantasias e realidades.
A dor do sofrimento
A busca constante pela alegria!
Por uma paz mundial.
Quanta dor física ou psíquica...
Por onde anda o amor?

Alegria é passageira,
Quanto às ondas do mar que vêm e vai.
Como o perfume das flores que evaporam no ar.
Até quando!
Precisamos de igualdade, fraternidade, solidariedade...

A vida do ser humano é um complexo do nada e do tudo...
Ilusões e verdades construídas...
Oh meu Deus!
O que será desta nação humana!

terça-feira, 5 de junho de 2012

William Wilson


(J. C. Peu)

Wilson sabia tudo a respeito da vida de todas as pessoas do mundo. Sabia que John Miller, dono de uma lanchonete em Amherst, Boston, Massachusetts, havia trocado todo mobiliário de sua loja. Sabia até mesmo quantos dólares Miller já havia quitado de sua hipoteca, e quanto ainda devia pagar para liquidar completamente a dívida. Era inútil Wilson, que mora no Rio de Janeiro, saber sobre isso. Não era da sua conta saber que o número de graduados em instituições de ensino de Portugal, que procuravam emprego aqui no Brasil por conta da grande crise econômica, não parava de aumentar. Sabia até quanto dinheiro tais graduados gastavam com passagens e acomodações.
William Wilson sabia que Rafael Monteiro, advogado brasileiro de 58 anos, pagou todas as despesas do enterro de seu pai, Heleno Monteiro. Wilson sabia que Heleno, de 116 anos, ficou internado na CTI do Hospital Sírio-Libanês em São Paulo por dois meses antes de morrer com falência múltiplas nos órgãos. Wilson sabia que o hospital fez de tudo para conseguir que o corpo de Heleno aceitasse novos órgãos sintéticos apenas para arrancar mais dinheiro de sua família. Sabia que os acionistas ficavam tristes com a perda de paciente tão promissor para os negócios. Wilson sabia de banalidades como a marca de cada esparadrapo, ou de cada siringa que Heleno usou enquanto estava hospitalizado, e sabia até qual foi o último programa de televisão sintonizado na TV do quarto de Heleno.
Wilson sabia tudo a respeito da vida de todas as pessoas do mundo, mas, o que o incomodava era o fato de que todas as pessoas do mundo também sabiam tudo a seu respeito. As pessoas do mundo inteiro sabiam que William Wilson iria morrer em breve. Assim era o mundo. Todos sabiam da vida de todos.
Quando tomava um banho, a companhia de água media a quantidade de água utilizada e a duração do banho poucos segundos após isso. Quase simultaneamente a informação já estava ao alcance de todas as pessoas do mundo na rede. Era fácil, mesmo de um celular simples, acessar todas estas informações. Isso não era bom, na opinião de Wilson, já que justificava a ausência de seus filhos e de seus velhos amigos. Monitoravam sua vida e sua doença á distância, e quase nunca faziam uma visita real.
Wilson nunca se acostumou com isso, e não era agora, no fim da vida, que seria diferente. Entendia a explicação oficial de que isso era necessário, mas não acreditava muito no que os especialistas diziam. Era um homem do século 21, e não do novo século. Todos os governos do ocidente concordaram que a privacidade era algo destrutivo para a sociedade. Logo, não mais havia crimes, ou revoluções, pois não dava para se programar para atos ilícitos sem privacidade. Mesmo com um acontecimento aqui e outro ali, que podia ser creditado a imprevisibilidade do ser humano, podia-se dizer que a humanidade havia chegado, finalmente, à paz.
Wilson, com suas ideias de velho, sabia que esta paz era principalmente mercadológica. Eram as empresas as maiores beneficiadas pelo fim da privacidade. Sentia-se preso às necessidades do mercado. Mesmo antes de sentir falta de qualquer coisa em sua casa, como uma caixa de leite, ou uma simples aspirina composta, o mercado já sabia disso e se preparava para suprir essa necessidade. Havia incontáveis batalhões de operadores de telemarketing oferecendo holograficamente tudo a todos.
O mercado sabia que Wilson recebia R$ 8.770,00 e planejava todo tipo de marketing e propaganda para levar o máximo possível deste montante. Cada empresa preparava anúncios individualizados para cada pessoa, e isso irritava Wilson. “Bom dia! Seu leite está acabando!” – Dizia uma moça sorridente no holograma projetado de sua geladeira. “Confira todos os preços da marca que você prefere, e veja onde comprar com maior economia!” – Para Wilson as propagandas oferecendo remédios eram ainda piores. Aumentavam sua vontade de morrer.
As propagandas de remédios começaram quando Wilson ficou muito gripado com uma variação do vírus H1Z3. O mercado chegou a oferecer mais 5, 10 e até 20 anos de vida, por preços que poderiam ser parcelados igualmente por 5, 10 ou 20 anos. Mais que isso não ofereceram, pois sabiam que Wilson não teria condição de pagar nem mesmo com muita ajuda da família.
Não preciso dizer que Wilson achou isso o cúmulo. Calcularam a probabilidade dos antibióticos não obterem o efeito esperado e fizeram a oferta infame de prolongar a vida, mesmo que continuassem oferecendo placebos. “Um pulmão novo era o mesmo que 10 anos de vida!” – Disseram. Dezenas de amigos e parentes ligaram para oferecer condolências, ajuda financeira e apoio emocional, mas tudo o que Wilson queria saber era por qual motivo não havia como salvá-lo com remédios normais, mas havia como proporcionar alguns anos a mais de vida. Se qualquer outro procedimento não alcançaria resultados, não fazia nenhum sentido continuar oferecendo remédios inúteis como estavam fazendo.
Wilson assistia a propaganda na televisão com repugnância. Ela explicava em trinta segundos todas as bases científicas dos procedimentos de troca de órgãos, mas Wilson concluíra no fundo de seu coração, o único lugar onde ainda lhe restara um pouco de privacidade, que tudo o que queriam era dinheiro. Trocavam tudo o que conseguiam trocar, quantas vezes fosse possível, e só desistiam quando os pacientes fossem apenas um ajuntamento amorfo de matéria orgânica sobre a cama.
Wilson pesquisou na rede e descobriu mais de 750 milhões de casos exatamente iguais ao seu. Eram 750 milhões de Willians Wilsons em todo o mundo. Mais da metade destas pessoas compravam anos á mais de vida, mesmo sem terem dinheiro para pagar por este luxo. O restante morria, ou se candidatava como cobaia de experimentos científicos que procuravam antibióticos, ou novos órgãos. “Mas, no fim, todos morrem.” – Concluiu Wilson.
William Wilson não quis aceitar dinheiro dos familiares e não quis se endividar. Quando parou de tomar os placebos, o mercado começou a oferecê-lo planos funerários. Havia planos de todos os preços, e Wilson ficou feliz. “Pelo menos é algo que eu vou usar por muito mais tempo.” – Wilson escolheu um plano que podia pagar, mesmo com os protestos dos familiares, que queriam que ele aceitasse o tratamento oferecido, e pagou feliz. Finalmente, era a última propaganda que ouvira. Desligou todos os aparelhos eletrônicos de sua casa, ficando completamente incomunicável, e esperou a morte chegar.
William Wilson Morreu aos 92 anos, velho e saciado em dias.

Dialética

(J. C. Peu)

Alienação é marxista
Gorki é marxista
Mais-valia é marxista
A dialética é e não é...

Durkhein é conservador
O capitalismo é conservador
Freyre é conservador
O estado é conservador
A dialética é, às vezes...

Status quo é elitista
Proust é elitista
Meritocracia é elitista
Crick é elitista
A dialética é mais ou menos...

Goular é popular
O MST é popular
Stevenson é popular
A cota é popular
A dialética
Mais ou menos
Às vezes
É e não é.

E-mail


(J.C. Peu e A.Lessa)


Recebi um e-mail
Que falava, eu creio,
sobre um novo socialismo.
Falava sobre educação.
Parecia uma coisa certa
Que a educação era o caminho 
Para alcançar a meta.

Um outro e-mail dizia
Ser importante eu dizer
Para as mulheres que eu conhecia
Sobre um certo perigo...

Outro e-mail falava sobre uma pirâmide, 
Um falava sobre injustiças, 
Vários falavam sobre pornografia.
Falavam sobre cinema, esportes.
Falavam sobre teatro e TV,
psicologia, ortóptica, causas indígenas,
Hermeneuticometria...

Palavra!
E, em meio a essa 
correnteza de banalidades,
Reencaminho um e-mail
Corrente.