quinta-feira, 28 de maio de 2015

Bosom Friend

Eu queria ter o mundo ao alcance das mãos
E correr mais rápido que a velocidade do som
E voar mais rápido do que a velocidade da luz
Só pra chegar primeiro
E te contar as novidades antes delas aparecerem.

A vida é um jogo que jogamos
Se perdemos ou ganhamos
Isso não importa
O que importa é que jogamos.
Se ganhamos ou perdemos
A vida é tudo o que temos.
Se perdemos ou vencemos
O que não temos é tudo o que queremos.

O que eu quero?

Eu quero apenas ser seu amigo
Estar ao seu lado
E na hora da chuva te servir de abrigo.
Eu quero apenas ser seu amigo
Quando você for lutar
Quero lutar junto contigo.
Eu quero ir na frente
E te livrar do perigo
Eu quero que você me chame
Como eu te chamo de amigo.

Amigo!!!

quarta-feira, 27 de maio de 2015

Parto Normal

Quando você partir
Parta de parto normal
Não fique chorando
Se remoendo por dentro
Tornando tudo tão difícil para nós dois.

Se quiser voltar
Volte sem remorsos
Não foi minha culpa,
Nem sua, nem de ninguém.

Por que ficar se lamentando
Achando que suas lamentações
Carregam o cerne da mudança do mundo?

Conte-me seus sonhos
Eu sentirei prazer em dizer
O que significam.

Se quiser chorar, chore.
Eu também queria chorar
Sem ter um motivo.
Mas, o que fazer se
Ainda estou vivo?

No entanto, se você chorar
Não molhe meus ombros
Com suas lágrimas
Use-as para lavar os copos
E os pratos que ficaram
Sobre a pia.

Eu queria sorrir,
Mas, não vejo motivos.
O que fazer, se
Ainda estou vivo?

Vire a página deste livro que lês.
Vire a página da tua própria vida.
Faça os curativos e deixe que o tempo
Cure todas as feridas.

E, se quiser partir,
Parta de parto normal.

sexta-feira, 22 de maio de 2015

EX MACHINA



O filme EX MACHINA, primeiro filme dirigido por Alex Garland, tem tudo para ser considerado um dos melhores filmes de ficção científica dos últimos tempos. E os méritos deste filme não são poucos e crescem quando se leva isso em consideração.
É difícil não se lembrar de Metrópolis, 2001 Uma Odisséia no Espaço, e mais recentemente Ela. Num primeiro momento o que nos lembra tais filmes é com certeza a existência de um robô/inteligência artificial como a Maria, ou o Hal9000. Porém, Ava parece ser uma evolução das entidades robóticas citadas.
É um alento ver uma ficção científica tão limpa, clean. Em certos momentos do filme é tudo tão clean que lembra alguns ambientes do já citado 2001. Também é impossível não lembrar do leiaute do Google. É bem possível que o Blue Book tenha a mesma aparência. E o Google tem mais participação na história do que possa parecer.
Outro ponto positivo do roteiro, também de Alex Garland, é que ele subverte os mitos de Pandora e Prometeu. Dessa vez o homem que rouba o fogo dos deuses é o mesmo que abre a porta para a danação, tomando o lugar de Pandora.
Com bela fotografia e atuações primorosas, EX MACHINA tem lugar garantido entre aqueles filmes que divertem e fazem pensar, deixando o final aberto, que nos perturbará por muito tempo após o fim da película.
Devo confessar que me incomodou o fato do criador de Ava dizer que ela estava apenas usando e seduzindo o avaliador para conseguir fugir, e ela agir exatamente como ele havia dito. Nesse sentido, o final do filme Ela, de Spike Jonze, parece trazer mais vigor ao subgênero de revolução das máquinas, já que os sistemas operacionais suplantaram os humanos, mas não optaram por destruí-los. Ava, tal qual a Eva bíblica, acaba por condenar o homem à morte.
Algumas questões:
Por qual motivo o homem dedica tantos recursos na criação da IA, se tudo o que parece é que ele quer apenas mais um escravo? Qual o próximo passo de Ava após um cruzamento movimentado e um show? Até que ponto a humanidade estaria segura com o surgimento desta nova forma de vida? Será que as ações de Ava não são apenas resultado de sua programação? Muitas outras perguntas confundem minha mente, e esse é o papel de uma boa ficção científica. Super recomendo EX MACHINA.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Harry Potter é literatura?

Afinal, Harry Potter é literatura?

http://flip.it/voi9s

Já falei sobre isso aqui, mas, estas reflexões são muito boas.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Os Malditos, ou These are the damned

Os malditos, filme de Joseph Losey de 1963, conta a história de um turista americano, de um líder de uma gangue e da irmã dele, os três acabam presos num complexo secreto do governo americano que faz experiências com crianças, tornando-as radioativas para poderem sobreviver depois que um desastre nuclear acabar com toda a terra e matar todas as pessoas.

Elas vão ser, simbolicamente, adão e eva do mundo pós-apocalíptico. O filme é uma parábola sobre a paranóia atômica, o medo de que as super-potências iriam acabar destruindo o planeta com uso de armas nucleares na guerra fria.  É um filme que demora a engrenar, mas, possui uma mensagem que é válida até hoje, posto que desde 1963 as formas de se destruir a humanidade parece apenas se proliferar.

O fim tem a melhor parte do filme, crianças pedindo socorro, um gesto simbólico e tocante. Mesmo em pleno século XXI as crianças continuam pedindo socorro. É, de fato, um clássico da ficção científica. Super recomendo.

Grande aula de Ficção Científica com Bráulio Tavares

https://youtu.be/_iSNTho6H6s

Certamente um pouco mais de conhecimento sobre este gênero literário não faz mal.

terça-feira, 19 de maio de 2015

Se eu morrer

Se eu morrer
Não me acompanhe
A vida é assim
Não seja inane
Se você me amar
Eu morro bem.

Se eu cair
Me levante
Não me deixe assim
Pois sou rompante
E num rompante
Posso enlouquecer
Mas, se você me amar
Eu morro bem.

Se eu chorar
Me dê ouvidos
Me dê também um ombro,
Um ombro amigo
E seque minhas lágrimas
Com amor
Pois se você me amar
Eu morro bem.

Eu morro bem,
Morro bem,
Mas, se você morrer
Morro também.

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Viagem

Quando você passar aqui
Na vinda de qualquer viagem
Pode perguntar por mim
Mesmo que seja tarde
Muito tarde para a vida
Cedo demais pra morte.

Quando você passar por mim
Na vinda de qualquer viagem
Diga pelo menos um "oi"
Mesmo que seja tarde
Tarde demais para desculpas
Ainda há tempo de amizade.

Quando você passar por mim
Na vinda de qualquer viagem
Diga pelo menos "tchau"
Antes de seguir viagem
Pare num restaurante da estrada
Comida boa, bebida ruim
Numa das curvas da vida
Triste prólogo do fim.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Farrapo

Eu preciso de um empurrãozinho
Não é comodismo
É que eu tô sem força
Só um empurrãozinho
Estou tão sozinho.

Eu preciso de uma mãozinha
Divida sua sorte comigo
Entorte a ferradura pro meu lado
Só um pouquinho
Ai!  Estou tão sozinho.

Eu preciso de uma ajudinha
Não é muita coisa
Faça o que você faria por qualquer pessoa
Sopre o meu rosto
Só um ventinho
Ai, ai! Estou tão sozinho.

Com esses trapos
Sou um farrapo humano
Sujo, com sede e faminto
Pedindo socorro
Só um tantinho.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Repulsa

Simplificar as coisas
O senso comum faz
O tempo inteiro
Enquanto o sensu acadêmico
O que faz é complexificá-las
Em igual quantidade de tempo.
Veja o meu caso:
Eu tinha uma ideia
Mas perdi a caminho do trabalho
Eu tinha um trabalho
Mas perdi correndo atrás de uma ideia
Por isso não acredito em nada
Mas não duvido de tudo
Tem muita coisa errado,
Tem muita coisa errada
Nesse mundo
Eu sentia falta do trabalho
Sem ele me sentia um nada
Com ele comecei a ver
Que era tudo questão de perspectiva
E continuei me sentindo um nada
Escancarei as portas do meu coração
Passou um tempo ninguém quis entrar
Um cão entrou e se acomodou
Mas ele tinha sarna e carrapatos
Sinto meu coração pulsando
E sinto repulsa
O mundo anda louco
Eu às vezes ando,
Às vezes corro.

sexta-feira, 8 de maio de 2015

Eles Vivem

O filme de Ficção Científica de John Carpenter, Eles Vivem, pode ser um pouco datado, é verdade. Mas, este filme é, também, uma crítica social bem interessante e que apresenta alguns paralelos facilmente reconhecíveis com os dias em que vivemos.

Um homem da classe trabalhadora encontra um óculos que o permite ver que extraterrestres dominaram o planeta por meio de propagandas subliminares. No roteiro, a maioria das pessoas em posições sociais mais elevadas são et's, e os que não são acabaram trocando suas liberdades, e a do restante do mundo, por dinheiro e uma vida luxuosa.

Os efeitos são muito ruizinhos, posto que o filme é de 1988, e nessa época já temos muitos filmes onde seus efeitos resistiram bem mais a passagem do tempo. Mas, é um filme cult. É, certamente, um dos 20 ou 30 melhores filmes de um gênero específico da ficção científica que são os filmes de invasão alienígena.

Dá pra rir das roupas dos anos 80, dos penteados com mullets caprichados, estilo Chitãozinho & Chororó. Visualmente o filme não envelheceu tão bem quanto 2001, Blade Runner, ou mesmo alguns filmes do próprio Carpenter como, O Enigma do Outro Mundo, Fuga de Nova York, Starman ou Os Aventureiros do Bairro Proibido. Talvez seja um filme menor de Carpenter, mas vale muito a pena ser visto.

Eles Vivem

Suicídio

O sol está no ápice
Os pássaros cantam
Uma triste canção
Destas de animar enterro
Que tem por estribilho:

"Que dia bonito para um suicídio
Um dia perfeito para se matar!"

Sobre a mesinha
Manteiga, torrada,
Café e chá.

No buquê
Rosas vermelhas, samambaias,
Flores do campo, chuva de prata,
Que ostentam também
Um outro nome vulgar.

Na lápide não haverá epitafio.
Ninguém mandou se matar.

O céu está esplêndido
Os pássaros cantam
A mesma triste canção.

"Que belo dia para uma prova,
Um dia perfeito para se conhecer
Por dentro uma cova!"

Numa lápide estava escrito
Um fato concreto
Numa outra um fato abstrato
Eu, se pudesse, escreveria apenas
Suicídio.

quarta-feira, 6 de maio de 2015

Intuição Feminina

Ela está pensativa
Ou fingindo estar
Vai lavando suas roupas
Lá rá lá rá lá...

Certamente pensa em alguém
Preocupada, preocupada
Com a hora do jantar
Lá rá lá rá lá...

O filho chega da escola
Era nele que pensava?
Vai varrendo sua casa
Lá rá lá rá lá...

Continua preocupada
Mas tudo está em seu lugar
Só ela não está
Lá rá lá rá lá...

Daí, então, chegou a noite
Janta junto com seu filho
Não tem mais o Lá rá lá rá lá
Lá rá lá rá lá...

Toca o telefone inoportuno
Atende sem vontade de atender
Não há mais dúvidas
Nem vocalização
Apenas lágrimas.

Eu sabia!
Eu sabia!
Intuição feminina!
Intuição feminina!

terça-feira, 5 de maio de 2015

A Dança

Eu não queria tocar em você
Mas, sou obrigado
Suas mãos são macias
Meu coração calejado.

Já não penso em você
Tanto quanto antes
Mas, não quero terminar
Antes do inverno acabar.

Não tenho medo de ficar só
Apenas não quero te magoar.
O trem saiu da estação,
Você, dormindo, nem o viu chegar.

Não percebeu que
A música já acabou
E continua a dançar.
Você dança, dança e dança
Sem perceber que todos foram embora.
As luzes estão apagadas,
Apenas você no salão.

Eu não queria deixá-la
Mas, sou obrigado
Suas mãos são macias,
Meu coração calejado.
Seu coração é tão puro,
O meu calejado.

Você me pergunta se
Não quero dançar.
Eu lhe digo:
"Amor, eu já dancei."

Cafeína

Não pense nunca estar no fundo do poço
Talvez você ainda não esteja lá
Mas, o caminho é perto, reze pra escapar
Firme o pensamento em alguma coisa boa
E tente atravessar essa deprê sem afundar
Mas tente sozinho, eu não posso te ajudar
Tome um pouco de café pra se acalmar.

Não curto cafeína,
Mas, tudo bem um pouco de café
Às vezes me faz bem,
Não curto cafeína,
Mas, tudo bem um pouco de café
Não faz mal a ninguém.

Todo mundo precisa de alguém pra amar,
Todo mundo precisa de alguém pra
Tomar café e conversar.

A noite já era, meus sonhos foram por água abaixo,
Espero que saibam nadar.
Se não souberem, que se danem, vou gritar:
"Sonhos ao mar!"

Não curto cafeína,
Mas, tudo bem um pouco de café
Às vezes me faz bem,
Não curto cafeína,
Mas, tudo bem um pouco de café
Não faz mal a ninguém.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Febril

Eu queria escrever a mais bela
De todas as poesias de amor
Só por que você me pediu
Queria te dar umas quinhentas estrelas
E planetas uns mil
Queria explicar de forma simples
Que sinto uma paixão febril.

Uma lágrima incomoda
Ao descer sem pedir licença
E meu coração
Inexperiente nesses assuntos
Acelera como se apenas isso
Bastasse para dizer
Com todas as letras
Que no meu céu
Só existe uma estrela
Como se apenas isso bastasse
Para dizer tudo.

sábado, 2 de maio de 2015

Auto-retrato

Eu, faxineiro, 27 anos.
Luto todo dia, só apanho.
Apanho da vida, eu mesmo me arranho.
Perdido na rua, coração de pano.
Dando conselhos a outros,
Querendo todos pra mim
Eu mesmo me engano.

Barriga cheia de comida,
Roncando na ânsia de devorar paixões
Um rio rasgando montanhas
Como amor rasgando corações
Na estante seu sorriso me lembra
Que um erro meu deixou tudo pior.

"Gauche" se lê "gôche"
Mundo, mundo
Vasto mundo
Se eu me chamasse Raimundo
Não seria solução seria castigo.

Música sem som

Durante todo o dia havia
Uma música em meus ouvidos
Na música alguém sorria
Mesmo sem haver sorrisos.

Ouvi, também, um som inaudível
Como aqueles de muitos prantos
Que apodrecem como o que é perecível
Ao não receber acalantos.

Mas era vibrante o referido som
Mesmo que partitura não houvesse
Havia CADENZA, havia tom...

Da letra inda lembro d'uma parte:
"Música sem som, música sem som"
De nada mais me lembro destarte.