quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Super 8


(J. C. Peu)

Eu sempre gostei de filmes que mostravam uma turma de garotos se aventurando pelo mundo, e amadurecendo pelo caminho. Quando eu mesmo era apenas um garoto, a aventura de outras turmas acabava me impulsionando a tirar o máximo de proveito da minha vida, da minha época. Hoje ainda me sinto atraído por filmes com esta temática, mesmo que o que me atraia seja o sentimento de nostalgia.
Quando eu tinha dez, ou onze anos, um filme que me emocionava, e em certos momentos me enchia de medo, era “Conta Comigo”. Eu achava a história muito ‘real’. Lembro que tinha um menino que era problemático, um gordinho, outro que sofria por seu pai ser um ‘derrotado’, etc. A história era contada por um desses garotos, que depois de crescer se torna escritor. A aventura que eles fizeram para ver o corpo de um garoto morto sempre me cativou. Era uma jornada de amadurecimento, como um rito de passagem.
Outro filme que sempre me encantou foi “Os Goonies”.  Mickey, Brand, Bocão, Dado e Bolão partem em busca do tesouro de Willy Caolho, assim como a turma de “Conta Comigo” parte em busca do corpo do menino morto. A diferença é que em “Os Goonies” o que dita a história é a correria, a aventura, e o medo de Sloth, um mostro enorme com o coração de uma criança, e não o drama.
Assistir o filme “Super 8” me fez relembrar todos os filmes da década de 80 que utilizam uma turma de garotos para contar uma história de amadurecimento. Fez com que lembrasse a época em que eu era uma criança. Lembrei das minhas perdas, de todo processo de amadurecimento que me conduziu até a idade adulta, e dos amigos que me acompanharam nesta trajetória. Apenas isso já seria o bastante para que esse filme tivesse um lugar cativo entre os melhores filmes que assisti recentemente.
Mas, “Super 8” é muito mais que um dispositivo capaz de trazer á tona velhas lembranças. É um super filme. Uma ficção científica digna de muitos elogios. É muito melhor que os filmes sobre extraterrestres recentemente lançados, como “A Batalha de Los Angeles”, por exemplo.
Se em “Conta Comigo” os amigos fazem uma tremenda jornada para verem o corpo de um menino, em “Super 8” não há tanta inocência. Os personagens chegam a ver vários soldados sendo mortos pela criatura que escapa do trem. Os tempos são outros...
Definitivamente “Super 8” não é uma baboseira como “A Batalha de Los Angeles”, e só o tempo dirá se conseguirá manter-se na memória, no coração e na vida dos espectadores como “Conta Comigo”, ou “Os Goonies”, mas que merece isso merece.

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