segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Contos Imediatos

(J. C. Peu)



Dou parabéns a todas as pessoas que trabalham na editora Terracota. Não conhecia esta  editora. Estava procurando algum livro de ficção científica de autores brasileiros para comprar, pois sempre tive algum preconceito quanto a autores brasileiros escrevendo este gênero. Já havia lido algumas boas histórias, mas alguns autores deixavam muito á desejar.
Encontrei um livro da editora Devir Livraria sobre política intergalática, ou alguma outra coisa parecida, chamado "Assembléia Estelar", mas a capa não era chamativa. Se a editora não teve o cuidado de escolher uma boa capa, como poderia confiar que fez uma boa escolha de autores e histórias? Sei que não se julga um livro pela capa, mas, não se pode negar, que boas capas podem pescar leitores que não possuem muitas imformações sobre determinado livro, que era o meu caso.
Foi quando encontrei o livro "Contos Imediatos" e procurei no Buscape. Achei com o preço de R$ 26,00, mas com o valor do frete sairia mais caro. Fui até a livraria Saraiva, no centro do Rio de Janeiro, e procurei por ele, mas não achei. Também não achei nenhum livro da Terracota na livraria Travessa. Fui em outra Saraiva, também não tinha, mas, o vendedor falou que podia encomendar, e que sairia pelo mesmo preço, R$ 26,00. Foi o que eu fiz.
Três dias depois eu já estava com este livro maravilhoso nas mãos. O trabalho é muito bom, beirando a perfeição. A capa é muito bem desenhada, com um desenho que prendeu minha atenção e meu interesse assim que bati os olhos nele. O papel da capa, e do interior do livro é de ótima qualidade, um trabalho de primeira!
O que mais gostei, porém, foi a ótima seleção de contos. Consegui ver que o Brasil não deixa nada a desejar em comparação com outros países, inclusive com os autores estadosunidenses. Al guns contos são, simplesmente, espetaculares. Déjà-vu, de Luiz Bras, Cibermetarrealidade, de Tibor Moricz, são os meus preferidos, mas, vários outros apresental altíssima qualidade, e nenhum deles é mal escrito, ou de mau gosto. Embora muitos não se mostrem de maneira firme como um conto de ficção científica brasileiro, posto que poderiam ser escritos por qualquer outro bom autor estadunidense, por exemplo, alguns se pontuam de forma clara no terreno brasileiro. Destaco, embora não seja uma das histórias que mais me fascinaram, o conto O Olho Que Tudo Vê, de Ademir Pascale. O narrador deste conto é cobrador de lotação, e mora no bairro de Campo Limpo, zona sul de São Paulo, de modo que a história se passa completamente em território nacional. Considero esta iniciativa um diferencial importante, que agrega grande valor ao conto de Ademir Pascale.
Recomendo a leitura deste livro singular. Provavelmente a maioria dos leitores se surpreenderão com a possíbilidade de ir "para o infinito, e além", sem sair do Brasil.

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