terça-feira, 13 de setembro de 2011

Drogaria

(J. C. Peu)




Ali havia uma casa
Hoje há uma drogaria.
Naquele shopping existia, 
Não a muito nem a pouco tempo atrás,
Um brejo.
Aterraram.
Com barro vermelho, 
Entulho e saibro
Socaram,
Com bate estacas
E tudo o mais.
Se eu fosse um sapo
Choraria.

Ali havia também um barraco.
Hoje há uma drogaria
De uma rede rival
À drogaria que agora existe
Do outro lado da rua
Onde antes era uma casa
Simples, 
De tijolo e cimento,
Que existia.

Ali havia uma árvore
Do outro lado do muro,
Onde um terreno baldio
Também havia.
Hoje a árvore ainda existe
E o terreno baldio também,
Resistem.
Viraram até ponto de encontro
Para os usuários dos produtos
Da drogaria.

Ali existiam corujas,
Sapos, brejos, casas e barracos.
Hoje existem shoppings, prédios,
Estação do metrô,
Drogarias.
Se eu fosse uma coruja poliglota
Chirriava,
Piava,
Grasnava,
Crocitava,
Gritava,
Chorava, e,
Quem sabe até
Latia.



Este livro pode ser comprado no site do Clube de Autores. A arte da capa é de Thiago Miranda de Oliveira.

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