sábado, 28 de janeiro de 2012

Camelô

(J. C. Peu)
O camelô vem gritando
Tudo o que ele tem
Sendo jogado de um lado pro outro
Pelo balanço do trem
“-Vem cá!”
Chamou-lhe da multidão alguém,
Respeitando o ditado:
“Vem cá é baleiro de trem.”

O camelô foi farejando dinheiro
Achando-o um pouquinho aqui,
Outro pouquinho ali,
Sempre atento de onde
O perigo vem.

Tinha mulher e três filhos,
Tinha muito que correr o trem
Ia esbarrando num passageiro e noutro
Quanto mais lotado ficava o trem.

De repente, camelô saiu em revoada
Medo de apanhar e da mercadoria perder
O som do apito é inconfundível
O colete vermelho prenuncia o pior
“-Já era neguinho,
É o rapa!”

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