quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Lunar

(J. C. Peu)

O filme Lunar não é uma obra prima. Em algumas partes explica demais o que poderia deixar para os espectadores descobrirem sozinhos, em outras não mostra nada do que os espectadores gostariam de ver. Ainda assim, Lunar é uma obra respeitável. Em nenhum momento agride a inteligência dos espectadores, como é comum em alguns filmes de ficção científica recentes, e consegue equilibrar perfeitamente doses de filosofia, crítica social, e o uso de efeitos especiais.
Sam Bell, praticamente o único personagem do filme, é um operário multiplicado como gado, criado como gado, e trabalha como gado. O que o alimenta é a idéia de retornar para a esposa e para a filha. Porém, não sabe que a esposa e a filha não passam de implantes de memórias do verdadeiro Sam Bell, que vive muito longe dali, com a verdadeira filha, que na memória tem três ou quatro anos, e na realidade conta quinze anos.
Sua maquete, onde dedica as horas de folga, já foi de vários outros Sam’s antes dele, e será dos futuros Sam’s após ele, já que sua desintegração física é visível. Sam está passando da validade. GERTY, o seu computador e amigo, quase lhe diz isso de forma direta. O tempo de Sam acabou, tanto é que GERTY acorda outro Sam, sem nunca imaginar que este Sam resgatará o outro Sam acidentado.
Mas, quem é o verdadeiro Sam? O verdadeiro Sam, pelo menos o Sam original, está na terra e é chamado pela adolescente para falar com o Sam que acompanhamos desde o princípio da história. O Sam operário se recusa a ver seu molde. Isso não é necessário para que ele se convença que é apenas um peão nas mãos do grande conglomerado que é a LUNAR, empresa em que vive.
Sam sempre esteve condenado. A LUNAR não se importa com ele, importa-se apenas com os 32% de desvalorização que o escândalo dos Sam’s lhe causa no mercado internacional. O filme peca em correr demais no fim para dar um desfecho à história, mas, não há desfecho. Na verdade a questão é: Será que não somos Sam Bell? Será que não estamos sendo ludibriados de alguma maneira por grandes corporações que nos controlam mesmo sem percebermos? Será que este flagrante desrespeito ao ser humano quando for revelado mudará alguma coisa, se não para nós para outros Sam’s Bell? O filme não mostra, e a vida também não.

Assisti este filme semana passada. Como já disse, não é uma obra prima, mas é, sem medo de errar, um dos melhores filmes de ficção científica deste nosso século XXI. Comprei o DVD na loja virtual do Walmart por R$ 12,90, não paguei o frete e ainda recebi um desconto de 60 centavos. Altamente recomendável. Valeu cada centavo!

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