quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Auto-Oficina Literária - A Inspiração 1

(J. C. Peu)

A inspiração, ou seja, a disposição de ânimo especial que faz você se sentir capaz de realizar a melhor obra já feita, a viagem nunca antes imaginada, ou simplesmente um poema singelo, mas capaz de tocar o mais fundo possível do coração do homem, existe realmente. É, porém, muito instável.
Se a inspiração não existisse não haveria artistas. Mas a instabilidade dela é tanta, que podemos dizer que nenhuma obra, ou pouquíssimas delas, devem ser creditadas apenas á inspiração. O que acontece com mais freqüência é que uma idéia, surgida num destes momentos iluminados, é trabalhada incansavelmente até resultar numa grande obra. Geralmente o artista tem de utilizar de diversos artifícios para que a urgência de criar continue durante todo o processo de criação da obra.
Embora não possamos controlar a inspiração, nem ditar em que momento ela deve aparecer-nos, podemos cooperar com ela, conosco e com o universo ao nosso redor, para que ela se sinta á vontade para aparecer quando quiser.
Dado que este texto faz parte de uma Auto-Oficina Literária, analisemos um pouco como podemos cooperar com a inspiração.
Se o primeiro conselho a ser dado a um escritor é “leia, leia, leia e leia”, o segundo conselho é um pouco mais específico. A inspiração para se escrever um romance de ficção científica, geralmente, surgirá a partir do mergulho em obras de ficção científica, sejam elas livros, filmes, peças de teatro, ou até mesmo a partir do conhecimento de obras de cunho acadêmico na área das ciências, ou notícias de ciência e tecnologia.
Continuando a utilizar este mesmo exemplo, se uma pessoa costumar ler com mais freqüência, histórias de robôs de Isaac Asimov, ou distopias como as de Aldous Huxley e George Orwell, no campo da literatura. Se gosta em especial de assistir a filmes como Matrix, Avatar, Distrito 9, Não Me Abandone Jamais, etc, é mais provável que venha a ter inspiração para desenvolver histórias com este mesmo teor.
Embora isso não seja uma regra, e, mesmo se fosse uma regra, toda regra tem exceção, é bom que quem quer escrever ficção científica, para continuar no mesmo exemplo, seja um bom leitor de todo tipo de literatura, desde as obras clássicas até as contemporâneas, mas seja um ótimo leitor, acima de tudo, de obras de ficção científica. O ideal é que respire ficção científica, e conheça profundamente todas as grandes obras deste gênero, ou na impossibilidade disso, que conheça pelo menos as mais conhecidas.
O ideal é que um escritor de ficção científica tenha por objetivo ser um especialista em ficção científica, ou seja, que saiba cada vez mais sobre cada vez menos autores e livros de ficção científica. Entenda um ponto básico: Não há garantias quanto a se o seguimento desta dica possa despertar em você o comichão que geralmente é chamado de inspiração, mas, pode ser que ajude...  
Deve ser lembrado, também, que a ficção científica foi apenas um exemplo, e que poderia ser utilizado outro gênero literário sem que fosse preciso modificar muito este texto.

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