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A menina que não sabia voar

A menina que não sabia voar Amanda subiu as escadas que levavam até a sua casa lentamente. Estava cansada e seguia dando um passo após o outro literalmente se arrastando, obrigado os músculos de sua perna a irem até quase a barreiras do total esgotamento físico. Por pouco não xingou um enorme palavrão quando o menino que contava não mais de 10 anos ao descer correndo desesperado os degrais da imensa escadaria quase a derrubou. - Olha por onde anda! - Gritou amanda. Mas o menino já estava longe e distansiava-se ainda mais. Não havia a menor possibilidade de que ele parasse e pedisse desculpas por seu ato pouco educado. Ele virou um esquina lá embaixo da escadaria um ou dois segundos antes que fosse possível escutar o enorme palavrão gritado por ela. Amanda irritou-se mais por ele não pedir desculpas, do que por ter esbarrado nela. Muito irritada, Amanda entrou no beco que terminava justamente em sua casa ainda resmungando um monte de imprecações que parecem para os que não fora...

Andor

Como abortar a dor Se o andor Me causa náusea? O andor É a origem da náusea Pois, não é o andor de um santo Velho, encurvado e manco Que tem por si Em seu currículo Uma bondade intrínseca E comovente Comum a todos os miseráveis E decadentes. O andor é o que carrega Em seus braços, Carrega como um barco, E causa dor porque Mesmo sendo cômodo Não é prático, Mesmo se movendo é Estático.

Música Sem Som

Durante todo o dia havia Uma música em meus ouvidos Na música alguém sorria Mesmo que não houvesse sorrisos. Ouvi também um som inaudível Como aqueles de muitos prantos Que apodrecem como o que é perecível Ao não receber acalantos. Mas era vibrante o referido som Mesmos que partitura não houvesse, Havia cadenza, havia tom... Da letra'inda lembro d'uma parte: Música sem som, música sem som! De nada mais lembro-me destarte.

Solfejo

O calor anuncia O verão... Alegria é ver você todo dia! Não é sonho, Sim fantasia... Dias mais longos Anunciam férias, Fim das aulas, Adeus teorias! Minha prática É te ter em meus braços, Não numa ilha deserta, Sim todo o espaço... Quem dera se uma poesia Fosse capaz de Conter todo o calor Que sinto quando te beijo! Assovio uma música Andando sozinho pela estrada, Sim, solfejo...

Narciso

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Uma só carne. É o que dizem que somos. Metaforicamente, Simbolicamente. Se não, Como desejar tanto a si mesmo, Como excitar-se tanto com seu próprio corpo E não morrer Como Narciso?

Inspiração

Venha, ó musa! Estou esperando Sentado num ponto de ônibus Esquina do desengano. Vejo-a passando Na janela de um ônibus Musa! Pegou o ônibus errado, Atraso. Tento avisá-la do erro Não dá tempo Foi-se o ônibus Para o ponto final da desilusão. Meia hora de intervalo.

Mãe Proletária

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Tudo o que eu possa dizer A seu respeito Sempre será uma injustiça Pois, você merece mais. Merece amor, carinho e toda a paz Que a vida nuca lhe deu. Sua luta parece não ter fim. Uma hora da manhã, Canicaleira canicaleirando Fios de algodão Enquanto a Senhora, Peneirando na ciranda da vida, Garimpando até mais não poder Pepitas de bons momentos Num rio de não-paixões. Mas, disse o profeta, Que um dia tudo vai melhorar. Até lá, esteja onde estiver, Peça sempre por mim E me ilumine. Para minha mãe, Maria José.