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Mostrando postagens com o rótulo poesias

Renovo

Um homem nunca mais será o mesmo Após uma poesia. Sairá modificado Quer ela seja boa, Quer seja ruim. Sairá mudado, Renovado, Limpinho E com cheirinho bom De bom ar heraclizado... No vir e no devir Colocado no devido lugar A poesia encanta Quando nasce De onde nascem os sentimentos, Num choro barulhento, Estridente e violento, Que só o poeta ouve, Botando a pena para traduzir O poético lamento.

Primatas Volúveis

(A. Lessa) Formiga no azulejo Pelo  grudado no vidro Muito cabelo encravado no colchão... E o resultado da briga: O homem é tudo uns animal. Suor manchou a parede Colcha na terra batida Cuspe sujando o tapete de algodão... E o resultado da briga: O homem é tudo uns animal. Tênis pegando na parede Velcro arrastando na seda Ouro com prata dá gusa imantada... E o resultado da briga: O homem é tudo uns animal. O homem bateu a porta A mulher ficou dormindo Chave e ardósia, um som, nenhum suspiro... E o resultado da briga: Homem e mulher são tudo igual.

Liberdade

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(J. Peu) Eu tenho toda liberdade Que meu dinheiro pode comprar Eu vendo o almoço Para comprar o jantar Eu tenho $1,85 no bolso E toda liberdade Que der para levar E levo tudo embrulhado Em uma página de classificados Com todas aquelas Ofertas imperdíveis Eu tenho toda liberdade do mundo Vendo com os olhos Lambendo com a testa Bem na minha frente Eu pego toda liberdade Que posso carregar comigo Para todos os lugares Até que ela cai no chão E se quebra em mil pedaços Que não posso contar Eu tenho toda liberdade Que meu dinheiro pode comprar Eu compro toda liberdade Que der pra levar Dentro do bolso E vendo.

Selo Moebius de Qualidade

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(A.Lessa) Saia da garagem, Seu Moebius! Saia desse canto de armação! Já cansei de tanto hermetismo! Cinismo, não! Essa poesia tem seu selo. Essa tinta parece carmim. Uso para embelezamento. Afeito, sim! Sai fora! Se cria! Escarra! Pode até chamar a Laura Que eu tô legal. Eu não tenho medo de palma Me passa o sal! Sou benquisto em Coelho Neto Do avô que lincha todo mundo. O difícil é ser num universo Onde se escalpela até couro desnudo. Cadê o Zé?! São 09:05! Não pensa muito não, amigo! Corre! Isso tudo é uma grande presepada. Moebius pensando que é sapiente. Para terminar. Parem de apertar. Passa a língua nesse selo Pra dialogar. Quando o Dias tentar A ti explicar.

Nossa Geração

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(J. Carlos) Como o tempo passa E deixa a gente pra trás. Como gira o mundo E a gente não cai. Como as chances passam E a gente só vê Quando já é tarde demais. O que eu posso fazer pra matar a dor? Quem eu preciso comprar Pra me fazer companhia? Mas eu não tenho dinheiro, Também não tenho alegria. E quem vai me ajudar a quebrar o gelo E a monotonia? E quem matou a gente? Quem nos fez sofrer? O que ganhou com tudo isso, Além de nos perder? Quando quebrei a perna Não pude mais andar. E se destroem nossos sonhos Nós não vamos mais sonhar. Como o tempo passa E deixa a vida pra trás. Como gira o mundo Às vezes a gente cai. Como as chances passam E não voltam nunca mais. Como é triste vermos Que poderíamos tentar mudar Mas não fazemos nada E tudo continua como está. Como é triste vermos nossa geração Que é comodista e Perdeu  a direção.

Açaí do Moebius

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(A. Lessa) Hoje no céu de veludo vejo Estrelas de algodão. Distanciam-se na noite. Hoje não tô bom! Meu corpo moeu... Só de pensar... Pará! Trem indo pro subúrbio E pela hora envolto em brasas... Olha! Noiva de véu cor-de-rosa Com alfinetes e vodu... Ouça! Nêgo caiu! Descarrilhou! Deve ser tiro de fuzil... Mas não tem nada não... O açaí do Seu Moebius Continua muito bom...

Escola

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(J. C. Peu) Na volta da escola Tudo o que aprendi Ficou por lá. Só trouxe lápis e borracha. Na vida tudo que se precisa É escrever e apagar. Escrevendo com uma mão E apagando com a outra. Marchando devagar rumo ao nada. Como um condenado para a forca. Eles nos ensinam uma coisa, Vem a vida e cobra outra. Quem nunca teve uma professora Gorda, velha, chata, Ou qualquer outra, Que não ensinou nada o ano inteiro E que ferrou todo mundo no fim do ano?

Casado 26 - s/filho (a)

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(A. Lessa) Meu bebê tá na hora De você acordar. Pelo relógio agora Já é madrugada. Todos estão dormindo Peço pra não gritar. Aí vai a chupeta Pra nenê não chorar. O papai gosta assim De nenê bem quietinho. Daqui a pouco eu trago Um leite bem quentinho. A pepeta cansou A boquinha do neném? Ou será que é febre? O termômetro já vem. O bebê está pelando Mas papai dá amor. De fraldinha limpinha Mamadeira chegou. Mama, mama o leitinho. Tem que beber todinho. Se golfar é normal Eu não sou lobo mau.

COMO O PERFUME DAS FLORES QUE EVOPARAM NO AR

(Dhiogo Caetano) O mundo é  um  eterno espectador... Um palco de alegrias e dores. Cenários, histórias, fantasias e realidades. A dor do sofrimento A busca constante pela alegria! Por uma paz mundial. Quanta  dor física ou psíquica... Por onde anda o amor? Alegria é   passageira, Quanto às ondas do mar que vêm e vai. Como o perfume das flores que evaporam no ar. A té quando! Precisamos de igualdade, fraternidade, solidariedade... A vida do ser huma no é um complexo do nada e do tudo... Ilusões e verdades construídas... Oh meu Deus! O que será desta nação humana!

Dialética

(J. C. Peu) Alienação é marxista Gorki é marxista Mais-valia é marxista A dialética é e não é... Durkhein é conservador O capitalismo é conservador Freyre é conservador O estado é conservador A dialética é, às vezes... Status quo é elitista Proust é elitista Meritocracia é elitista Crick é elitista A dialética é mais ou menos... Goular é popular O MST é popular Stevenson é popular A cota é popular A dialética Mais ou menos Às vezes É e não é.

E-mail

(J.C. Peu e A.Lessa) Recebi um e-mail Que falava, eu creio, sobre um novo socialismo. Falava sobre educação. Parecia uma coisa certa Que a educação era o caminho  Para alcançar a meta. Um outro e-mail dizia Ser importante eu dizer Para as mulheres que eu conhecia Sobre um certo perigo... Outro e-mail falava sobre uma pirâmide,  Um falava sobre injustiças,  Vários falavam sobre pornografia. Falavam sobre cinema, esportes. Falavam sobre teatro e TV, psicologia, ortóptica, causas indígenas, Hermeneuticometria... Palavra! E, em meio a essa  correnteza de banalidades, Reencaminho um e-mail Corrente.

Intrínseca Causa

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(Alexandre Lessa) O que é a causa? Se eu não tenho calças. Cadê minha causa? Foi com as minhas calças Pra lavar... Eu não posso abraçar A tua esfera Se ninguém quer me alentar Deitado na relva Não quero ajudar Nem atrapalhar Quero um par de calças O frio é de danar! Depois uma causa Para o meu bem-estar.

SAMAMBAIA VERDE SAMAMBAIA

(Dhiogo Caetano) Em suas longas folhas ,  uma longa história pra contar. Uma  planta, uma herança da  minha avó. Há  mais de cinquenta anos,  a sua beleza verde encanta a nossa casa. Trazendo esperança no desenrolar de suas folhas. De forma plena ela encanta... Nela a lembrança de um passado ainda presente. Ontem  a  minha  amada avó  cultivava a linda samambaia. Hoje sou o guardião da verde samambaia. Simplesmente uma planta, mas um elemento da família... Em suas folhas rabo de peixe se eterniza a vida. .. A memória  tornasse  sempre presente. O passado é constantemente revivido no desenrolar de suas longas folhas. Mas no contexto não podemos esquecer que estamos falando de uma simples samambaia. Uma planta que traz o verde como elemento principal da sua consagração. Nossa samambaia! Lembrança, passado, vida, presente, memória e uma linda história. Nossa história eternizada naquelas longas fo...

Âmbar

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(J. C. Peu) Não sou branco Sou franco, O negro é pranto, E o pranto ecoa pelo tempo Lúgubre, lúgubre. Sou Negro E não um fóssil. Eu sei me adaptar, Meu habitat é qualquer lugar. Respiro ares distantes, Âmbar, âmbar. Sou negro, Sou homem, Mas, se fosse branco, Seria homem assim como sempre fui. Isto está juramentado E ajuramentado, Aresto, aresto. Sou homem Como todos os outros. Não digam o contrário, Nem criem barreiras. Uma criança nasce chorando e gritando: "Acesso, acesso!"

Herói Anacrônico

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(A. Lessa) Deixei de acreditar na vida, Porque sou herói. No meu corpo só há feridas Por que não sou playboy? Só quero viver! Só quero poder crer! Acho que tenho problema de vista... Deixei de acreditar em Marx, Porque sou herói. O trabalho não reflete, e tome fax... Eu queria ler Tolstoi Só quero trabalhar! Só quero poder entrar! Acho que é a roupa que não combina... Apesar de toda seca Não deixei de acreditar. Seu doutor me dê uma pista Sou herói, não sou farrista Dê carícias e eu lhe dou a Represa... Num planeta bem-dotado Continuo mal pago Esperando um alvo entrar Em cena...

Multicor

(J. C. Peu) Negra noite Branco dia Negra melancolia. Negro ódio Amarelo alegria Vermelho paixão Rosa amor Lindo dia. A guerra é negra É branca a paz A cidade é cinza O campo verde A flor lilás. A inferioridade é negra A igualdade é branca O luto é negro A dor vermelha A morte é negra A maternidade, rosa ou azul. As verduras são verdes Os legumes amarelos, laranjas e azuis Mas a fome é negra A fartura multicor. A igualdade é branca O negro é desigual Negra noite Branco dia Qual a cor da harmonia? O futebol é verde e amarelo Mas, e se fosse lilás? Qual seria a cor da paz?

SAMAMBAIA VERDE SAMAMBAIA

(Dhiogo Caetano)           Em suas longas folhas, uma longa história pra contar.           Uma planta, uma herança da minha avó.           Há mais de cinquenta anos, a sua beleza verde encanta a nossa casa.           Trazendo esperança no desenrolar de suas folhas.           De forma plena ela encanta...           Nela a lembrança de um passado ainda presente.           Ontem a minha amada avó cultivava a linda samambaia.           Hoje sou o guardião da verde samambaia.           Simplesmente uma planta, mas um elemento da família...         ...

Futuro

(J. C. Peu) “Não serei o poeta de um mundo caduco” Nem falarei do passado Não pensarei de forma cartesiana Terei fé no não visto, Ouvirei o que nunca foi dito E só acreditarei, depositando plena confiança Com minha capacidade de raciocínio, Em tudo o que não existe, Ainda... Seguirei relativizando Pregando as boas novas De um mundo melhor Ensinando quem quiser aprender Os dez mandamentos de uma ecologia humana De Einstein a Capra, de Freire a Morin O tempo é minha matéria Mas não o tempo presente, newtoniano Meu tempo é o tempo futuro, Livre, leve e solto Que corre para frente e para trás Em ondas e em partículas Ao mesmo tempo... Serei um poeta de um mundo novo, Verdadeiramente admirável. De um governo que será capaz de arruinar Os que arruínam a Terra De reis incapazes de sugar a alma do planeta Por dinheiro ou vintém O poeta de um mundo que é para todos Ou para ninguém Cantarei canções de Pessoa E refrões das folhas da relva Ao esperar uma nova con...

Manual Didático da Vida

(J. C. Peu) Aprenda a perder Pois perdemos tudo  Na vida. Perdemos o ônibus, O trem,  Mas não deixe a vida passar... Até ela mesma, Um dia,  Acabou! Vais perder a inocência, A beleza e Juventude. Podes perder, Hoje ou amanhã,  Dinheiro ou saúde. Mas não perca A cabeça Tão já! Não perca amigos, Se não perdê-los  For possível. Não perca a fé, E, em tudo o que perderes, Não perca o amor. E não chores, Já que sabias Que assim seria.

DESCRIÇÃO DA MAÇÃ

(Dhiogo Caetano) Pseudônimo:  Muso Lírico  Vermelha, doce, saborosa... Uma tentação sobre a mesa. Seu aroma é  inesquecível. Que fome... Um simples fruto, uma longa história. Vermelha por fora e branca por dentro. Na sua essência a origem da humanidade. Mas no momento uma maçã, ou um resto de maçã.