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Auto-Oficina Literária - A Crença Na Literatura

No dia em que qualquer escritor concluir que domina sua arte ele não mais será um artista, será um operário, ou no máximo, um artesão. Ele perderá a magia de não saber o que há por trás da cortina da página em branco. Concluirá, também, que não precisa mais esforçar-se para alcançar o cume, pois já está nele. Desconfio que por mais experiente que um escritor seja, nunca conseguirá dominar todas as manhas da literatura. Ela é uma mulher, e como tal, é mais imprevisível do que possa parecer, e mesmo para os que a dominam, é só uma questão de um deslize mínimo para que ela venha a escapar por entre os dedos. Sendo assim, a crença na literatura é o que basta, e é o que importa realmente, dominá-la não é a coisa mais importante, e sim, compactuar com ela.

Auto-Oficina Literária - A Crença Num Mestre

O ser humano tem algo dentro de si que pode ser chamado de necessidade espiritual. Os homens precisam acreditar em algo, e vem dai seu interesse por religião e, ao mesmo tempo, a grande oferta de religiões. Parece que estamos num grande restaurante self service da fé. Podemos escolher não apenas a religião, ou a comida, como podemos, também, escolher o tempero, ou o sacerdote, pastor, padre, etc, que seja mais carismático. Pelo menos é assim que parece ser. Referente á Literatura, podemos dizer que da mesma maneira como ocorre na escolha da religião, escolhemos que literatura nós gostamos mais, se estadunidense, se brasileira, russa, francesa, etc, e escolhemos vários temperos: quanto ao gênero, quanto ao período, e até mesmo quanto ao autor que mais apreciamos.  Se o leitor comum pode, e deve escolher o tempero que mais prefere, podemos concluir que os escritores, principalmente os iniciantes, precisam escolher muito mais do que meros temperos, precisam escolher sacerdotes das let...

Auto-Oficina Literária - A Inspiração 1

(J. C. Peu) A inspiração, ou seja, a disposição de ânimo especial que faz você se sentir capaz de realizar a melhor obra já feita, a viagem nunca antes imaginada, ou simplesmente um poema singelo, mas capaz de tocar o mais fundo possível do coração do homem, existe realmente. É, porém, muito instável. Se a inspiração não existisse não haveria artistas. Mas a instabilidade dela é tanta, que podemos dizer que nenhuma obra, ou pouquíssimas delas, devem ser creditadas apenas á inspiração. O que acontece com mais freqüência é que uma idéia, surgida num destes momentos iluminados, é trabalhada incansavelmente até resultar numa grande obra. Geralmente o artista tem de utilizar de diversos artifícios para que a urgência de criar continue durante todo o processo de criação da obra. Embora não possamos controlar a inspiração, nem ditar em que momento ela deve aparecer-nos, podemos cooperar com ela, conosco e com o universo ao nosso redor, para que ela se sinta á vontade para aparecer quando ...

Auto-Oficina Literária - Blogs

(J. C. Peu) Em muitos blogs direcionados para novos escritores encontramos uma mesma dica: Leia, leia, leia! Alguns dizem que se deve ler de tudo, desde livros clássicos, até livros mais comerciais. Esta dica é muito boa, embora eu acho que, independente de lermos clássicos ou não, o importante é lermos bons livros, com boas histórias. Como estímulos para boas ideias na hora de desenvolver uma história, podemos assistir bons filmes, irmos em exposições legais, ou simplesmente prestar mais atenção a tudo o que acontece ao nosso redor. Muitas vezes deixamos escapar bons argumentos, apenas por não estarmos atentos ao nosso redor. Algo muito bom, também, é ler blogs e sites legais, e temos uma grande variedade deles. Veja uma pequena lista de bons blogs que merecem ser visitados: O Nerd Escritor: http://www.onerdescritor.com.br/ O Escrivonauta: http://www.escrivonauta.com/ Vida de Escritor: http://dicasdoalexandrelobao.blogspot.com/ Ofício Literário: http://blog.oficioeditorial.c...

Auto-Oficina Literária - O Escritor

(J. C. Peu) O escritor é o único artífice que dedica seu tempo, seus esforços, enfim, sua vida a fazer algo que não sabe ensinar. Um pedreiro, um eletricista, um médico, um engenheiro, todos conseguem ensinar a outros seu fazer, seu ofício. Porém, um escritor não tem como fazer isso, posto que nem mesmo ele tem certeza que sabe alguma coisa referente a sua arte, já que em cada nova obra, um novo desafio se apresenta corporificado pela página em branco. Na verdade, é até difícil para todos, inclusive para o próprio escritor, acreditar em si mesmo, no seu domínio da arte da escrita. Se um médico, um carpinteiro, ou um pintor, possuem um objeto material, concreto, para se debruçarem sobre ele, o mesmo não acontece com o escritor. O que ele tem são idéias, apenas isso. Além dessas idéias, tudo o que há é o trabalho, e a obsessão. Tudo o que há de concreto no ofício do escritor é, ao mesmo tempo, evanescente. Mas, se a escrita literária não pode ser ensinada (pense em Shakespeare ou em Ma...