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Verbo

Nascer    Comer       Viver          Crescer             Amar                Casar Jantar    Falar       Pensar          Dormir             Sentir                Partir                   Morrer, São Verbos.    Não ter mais nada a fazer       Por toda eternidade,          At é  ouvir             A voz                 De                   Deus, É  consequência

Primatas Volúveis

(A. Lessa) Formiga no azulejo Pelo  grudado no vidro Muito cabelo encravado no colchão... E o resultado da briga: O homem é tudo uns animal. Suor manchou a parede Colcha na terra batida Cuspe sujando o tapete de algodão... E o resultado da briga: O homem é tudo uns animal. Tênis pegando na parede Velcro arrastando na seda Ouro com prata dá gusa imantada... E o resultado da briga: O homem é tudo uns animal. O homem bateu a porta A mulher ficou dormindo Chave e ardósia, um som, nenhum suspiro... E o resultado da briga: Homem e mulher são tudo igual.

Liberdade

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(J. Peu) Eu tenho toda liberdade Que meu dinheiro pode comprar Eu vendo o almoço Para comprar o jantar Eu tenho $1,85 no bolso E toda liberdade Que der para levar E levo tudo embrulhado Em uma página de classificados Com todas aquelas Ofertas imperdíveis Eu tenho toda liberdade do mundo Vendo com os olhos Lambendo com a testa Bem na minha frente Eu pego toda liberdade Que posso carregar comigo Para todos os lugares Até que ela cai no chão E se quebra em mil pedaços Que não posso contar Eu tenho toda liberdade Que meu dinheiro pode comprar Eu compro toda liberdade Que der pra levar Dentro do bolso E vendo.

Ray Bradbury

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No dia 06 deste mês morreu nos Estados Unidos, aos 91 anos, o escritor Ray Bradbury, um mestre da ficção científica. Este foi um acontecimento muito triste para todos os amantes da boa e velha ficção científica. Fiquei tão triste o dia inteiro que parecia que eu havia perdido um parente próximo. Depois eu cheguei a me envergonhar por isso, mas... Na verdade, ele era um dos últimos grandes mestres do gênero.  O tom poético das suas mais de 500 obras ajudou a tornar a ficção cientifica mais respeitada dentro da literatura. A lenda, e também o  prefácio  do livro, diz que ele foi escrito por Ray Bradbury em um dos porões da universidade da Califórnia, e que ele pagava dez centavos para usar a máquina de escrever por meia hora. Nove dias depois terminou seu livro mais famoso. Eu tenho a edição de bolso deste livro. Custou apenas R$ 19,90. Foi o dinheiro mais bem gasto da minha vida. No livro, é  proibido ler livros, mas disso todo mundo já sab...

Selo Moebius de Qualidade

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(A.Lessa) Saia da garagem, Seu Moebius! Saia desse canto de armação! Já cansei de tanto hermetismo! Cinismo, não! Essa poesia tem seu selo. Essa tinta parece carmim. Uso para embelezamento. Afeito, sim! Sai fora! Se cria! Escarra! Pode até chamar a Laura Que eu tô legal. Eu não tenho medo de palma Me passa o sal! Sou benquisto em Coelho Neto Do avô que lincha todo mundo. O difícil é ser num universo Onde se escalpela até couro desnudo. Cadê o Zé?! São 09:05! Não pensa muito não, amigo! Corre! Isso tudo é uma grande presepada. Moebius pensando que é sapiente. Para terminar. Parem de apertar. Passa a língua nesse selo Pra dialogar. Quando o Dias tentar A ti explicar.

Nossa Geração

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(J. Carlos) Como o tempo passa E deixa a gente pra trás. Como gira o mundo E a gente não cai. Como as chances passam E a gente só vê Quando já é tarde demais. O que eu posso fazer pra matar a dor? Quem eu preciso comprar Pra me fazer companhia? Mas eu não tenho dinheiro, Também não tenho alegria. E quem vai me ajudar a quebrar o gelo E a monotonia? E quem matou a gente? Quem nos fez sofrer? O que ganhou com tudo isso, Além de nos perder? Quando quebrei a perna Não pude mais andar. E se destroem nossos sonhos Nós não vamos mais sonhar. Como o tempo passa E deixa a vida pra trás. Como gira o mundo Às vezes a gente cai. Como as chances passam E não voltam nunca mais. Como é triste vermos Que poderíamos tentar mudar Mas não fazemos nada E tudo continua como está. Como é triste vermos nossa geração Que é comodista e Perdeu  a direção.

Açaí do Moebius

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(A. Lessa) Hoje no céu de veludo vejo Estrelas de algodão. Distanciam-se na noite. Hoje não tô bom! Meu corpo moeu... Só de pensar... Pará! Trem indo pro subúrbio E pela hora envolto em brasas... Olha! Noiva de véu cor-de-rosa Com alfinetes e vodu... Ouça! Nêgo caiu! Descarrilhou! Deve ser tiro de fuzil... Mas não tem nada não... O açaí do Seu Moebius Continua muito bom...