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Quem Tem Medo da Literatura Contemporânea? (Um Texto Direcionado para Os(As) Futuros(as) Escritores(as) Sem Medo)

(A.Lessa) O poder na primeira pessoa Poder em última instância A mão alcançando o chapéu, Acima de qualquer circunstância Poder, poder, poder, poder até não mais poder. (O Poder - Marcelo Nova) Ser humano gosta de poder. Ser humano é gostar de poder, e do poder. Ser humano gosta mesmo é do poder. O universo literário, tão cheio de liberdade, está embriagado do medo da perda. Não é incomum a discussão sobre direitos autorais, sobre os creative commons da vida... Sobre de quem é o poder acerca da criação. O escritor, por mais humilde que finja, tem mania de Deus. Tende a ser o dono de seu universo criativo, da obra de arte – não mexa! Pode quebrar... O escritor sabe que suas idéias são frutos de suas relações, mas prefere deixar subentendido. Sabe que o livro não vai sumir com o advento da tecnologia, no máximo ocorrerá mudanças no formato - mas mantenha o alarme ligado! Tão hábil na criação do novo, mas quando falam de cyberliteratura... retrocesso. E o leitor, o ...

Super 8

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(J. C. Peu) Eu sempre gostei de filmes que mostravam uma turma de garotos se aventurando pelo mundo, e amadurecendo pelo caminho. Quando eu mesmo era apenas um garoto, a aventura de outras turmas acabava me impulsionando a tirar o máximo de proveito da minha vida, da minha época. Hoje ainda me sinto atraído por filmes com esta temática, mesmo que o que me atraia seja o sentimento de nostalgia. Quando eu tinha dez, ou onze anos, um filme que me emocionava, e em certos momentos me enchia de medo, era “Conta Comigo”. Eu achava a história muito ‘real’. Lembro que tinha um menino que era problemático, um gordinho, outro que sofria por seu pai ser um ‘derrotado’, etc. A história era contada por um desses garotos, que depois de crescer se torna escritor. A aventura que eles fizeram para ver o corpo de um garoto morto sempre me cativou. Era uma jornada de amadurecimento, como um rito de passagem. Outro filme que sempre me encantou foi “Os Goonies”.   Mickey, Brand, Bocão, Dado e Bolão ...

Auto-Oficina Literária - A Inspiração 1

(J. C. Peu) A inspiração, ou seja, a disposição de ânimo especial que faz você se sentir capaz de realizar a melhor obra já feita, a viagem nunca antes imaginada, ou simplesmente um poema singelo, mas capaz de tocar o mais fundo possível do coração do homem, existe realmente. É, porém, muito instável. Se a inspiração não existisse não haveria artistas. Mas a instabilidade dela é tanta, que podemos dizer que nenhuma obra, ou pouquíssimas delas, devem ser creditadas apenas á inspiração. O que acontece com mais freqüência é que uma idéia, surgida num destes momentos iluminados, é trabalhada incansavelmente até resultar numa grande obra. Geralmente o artista tem de utilizar de diversos artifícios para que a urgência de criar continue durante todo o processo de criação da obra. Embora não possamos controlar a inspiração, nem ditar em que momento ela deve aparecer-nos, podemos cooperar com ela, conosco e com o universo ao nosso redor, para que ela se sinta á vontade para aparecer quando ...

Escola

(J.C. Peu) Um quadrado, Um monte de pessoas, Nenhuma imaginação. É a descrição de uma sala de aula. A descrição de uma escola é diferente: Dez quadrados, Mais pessoas ainda e Menos imaginação.

Revolta

(J.C. Peu) Amor, volta E trás de volta Minha alma Que estava morta Desde sua partida. Amor, re-volta Coloca a mão Dentro do caixão E sacode, acorde Este corpo morto, Me acorde pra vida. Amor, na volta Traga refrigerante E vontade de viver. Traga também uma corda. Não se preocupe com a ambigüidade Que este pedido possa trazer Não, não e não! Não é o que você pensa O que eu quero dizer. Amor, volta E, uma meia-volta seria o ideal. Volta e traga de volta O que você não levou Um grito, um tiro, Re-vól-ver.

Ficção Científica

Na época do lançamento do filme "Distrito 9" escrevi um pequeno texto que acho legal postar novamente, pois falei sobre o filme "Lunar" e acabei lembrando deste texto, espero que gostem. (José Carlos Peu) Até meados da década de 1990, ‘2001, Uma Odisséia no Espaço’, ‘Blade Runner’, ‘Star Wars’, eram considerados ‘clássicos’, o que melhor se fez no cinema de ficção científica. Com um ou outro título sendo acrescentado ou retirado desta lista dos melhores, exemplo de ‘E.T. O Extraterrestre’, ‘Laranja Mecânica’, ‘Contatos Imediatos do 3º Grau’, ‘O Dia em Que a Terra Parou’, ‘O Planeta dos Macacos”, etc, tudo já estava definido. Parecia que tudo era um fato consumado e que nada de importante surgiria. Porém, esqueceram de avisar isso a Andy e Larry Wachowski, e eles lançaram em 1999 ‘Matrix’, filme que tornou-se a ‘pedra de toque’ de todos os outros filmes de ficção científica por um bom tempo. A importância de uma obra de arte não pode encerrar-se em si mesma. Tal ...

Lunar

(J. C. Peu) O filme Lunar não é uma obra prima. Em algumas partes explica demais o que poderia deixar para os espectadores descobrirem sozinhos, em outras não mostra nada do que os espectadores gostariam de ver. Ainda assim, Lunar é uma obra respeitável. Em nenhum momento agride a inteligência dos espectadores, como é comum em alguns filmes de ficção científica recentes, e consegue equilibrar perfeitamente doses de filosofia, crítica social, e o uso de efeitos especiais. Sam Bell, praticamente o único personagem do filme, é um operário multiplicado como gado, criado como gado, e trabalha como gado. O que o alimenta é a idéia de retornar para a esposa e para a filha. Porém, não sabe que a esposa e a filha não passam de implantes de memórias do verdadeiro Sam Bell, que vive muito longe dali, com a verdadeira filha, que na memória tem três ou quatro anos, e na realidade conta quinze anos. Sua maquete, onde dedica as horas de folga, já foi de vários outros Sam’s antes dele, e será dos fu...